Se eu pudesse resumir o ano de 2008 em palavras que o Senhor cumpriu em minha vida e na minha família seriam estas: · “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca.”(Is 49, 15)
· “Inútil levantar-vos antes da aurora, e atrasar até alta noite vosso descanso, para comer o pão de um duro trabalho, pois Deus o dá aos seus amados até durante o sono.” (Sl 126,2)
· “Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós.” (I Pd 5, 7)
Mais um ano se vai, mas fica marcado no meu coração o que Deus fez por mim e pelos meus. O senhor não nos esquece nunca; dá-nos enquanto dormimos e cuida de nós.
Muitas coisas eu poderia contar a respeito do cuidado de Deus: a novo emprego de minha mãe, o meu novo estágio, a visita a familiares que não víamos há anos, nascimento de primos... Todavia, o fato mais marcante aconteceu em julho.
Dwlya, minha irmã fazia estágio em um supermercado e no segundo sábado de trabalho, ao sair, resolveu pegar ônibus para vir para casa. Na parada de ônibus estavam ela e colegas do estágio. Como o ônibus dos colegas passou primeiro; eles foram embora e ela ficou sozinha. Tudo que ela lembra é que depois chegou uma mulher e ambas – Dwlya e a mulher – ficaram a espera do ônibus.
Recordo-me que até 22 horas da noite daquele dia conseguimos falar com minha irmã e ela disse estar a caminho de casa. Passaram-se o tempo e nada dela chegar. Começamos a lhe telefonar, mas o telefone chamava e ninguém atendia. Em determinado momento o telefone dá como fora da área de serviço e começamos a ficar muito preocupados. Ao dar meia-noite e nem sinal de sua chegada; meus pais se dirigiram a polícia para dar parte de seu desaparecimento.
Foi uma noite de muito choro, insônia, preocupação e até mesmo sensação de perda – pois chegamos a procurá-la nos hospitais. Ficamos sem notícias e ninguém sabia de seu paradeiro.
Pela manhã do domingo recordo de um amigo, ao telefone orar com minha mãe. Ela estava diante de uma imagem de Nossa Senhora pedindo sua intercessão. Foi um dos momentos em que Deus nos consolou: “Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã.”(Sl 30, 5c). Por volta das 10 horas da manhã, recebemos uma mensagem dela no telefone dizendo que estava bem e que estava vindo para casa. Tentamos retornar a ligação, mas foi um homem que atendeu e não sabia nada a respeito da Dwlya.
Depois de 13 horas de desaparecimento; às 11 horas da manhã do domingo, minha irmã chega em casa. Ela estava com o corpo mole, muito pálida e meio aérea. Ela havia sido dopada com uma droga para dormir (Golpe: Boa Noite Cinderela, como chama a polícia). Foi um momento de muito alívio, alegria, agradecimento; rever minha irmã.

Na tarde do domingo fomos resolver as burocracias da lei: ir a delegacia, ir ao IML (Instituto Médico Legal). Foi constatado que não fizeram nada com ela – não havia nenhum indício de violência. Tudo que estava consigo foi levado, mas sua vida e integridade não.
Ela nos contou depois, que ao acordar estava em uma parada de ônibus do lado oposto da cidade onde moramos. Um homem ao vê-la sozinha na parada e cedo do dia perguntou-a se estava bem, qual seu nome, onde morava; porém ela não sabia. Ele deu seu telefone para ver se ela recordava algum número, foi quando ela nos enviou a mensagem de texto via telefone. Disse-nos ela também que ele a deu 10 reais para comer e ir par casa. Dwlya pegou a primeira van que passou e foi lembrando o caminho de casa até chegar.
“Nenhum mal te atingirá, nenhum flagelo chegará à tua tenda, porque aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.” (Sl 90, 10-12)
Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa, ilumina. Amém.
Que os anjos do Senhor continuem nos guardando sempre!




Cada vez que testemunho isso que o Senhor fez na minha vida, sou tocado novamente pelo Amor de Deus e Deus toca aqueles que me ouvem também: “Vitória, é o que vem depois da cruz e ninguém há de condenar o que teu amor tocar “ (Ziza Fernandes).