segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Culto aos Santos

Muitas vezes os católicos são acusados de idolatria e de prestarem um culto indevido aos Santos, aos Anjos e à Virgem Maria. Pensam os protestantes, erroneamente, que substituímos a mediação única e imprescindível de Jesus diante do Pai, ao pedido de intercessão dos Santos.
A intercessão dos Santos e sua mediação por nós em nada substituem a ação única e essencial de Jesus; ao contrário a valoriza ainda mais, pois depende dela para ter eficácia.
Com certeza de que os Santos já estão no céu, a Igreja, sempre assistida pelo Espírito Santo, já nos seus primeiros tempos, começou a prestar veneração particular àqueles falecidos que tiveram uma vida confessando Jesus Cristo, especialmente pelo martírio.
O Culto de veneração ( não de adoração) dos Santos foi até o século XVI prática tranqüila e óbvia entre os cristãos. Durante dezesseis séculos não houve contestação a esta prática. O Concílio de Trento (1545-1563) confirmou a validade e importância deste culto, ao mesmo tempo que ensinou a evitar abusos e mal-entendidos, muitas vezes, enraizados na religiosidade popular. Também o Concílio do Vaticano II (1963-65) reiterou esta doutrina, mostrando o aspecto cristocêntrico e teocêntrico do culto aos Santos.
A comunhão entre os membros do povo de Deus não é extinta com a morte; ao contrário, o amor fraterno é liberto de falhas devidas ao pecado na outra vida, o que faz esta união mais forte.
Deus, que gera esta comunhão, proporciona aos Santos no céu o conhecimento de nossas necessidades para que eles possam interceder por nós, como intercedessem se estivessem na Terra.
Esta intercessão leva-nos mais a fundo dentro do plano de Deus, porque promove a glória de Deus e o louvor de Jesus Cristo, uma vez que os Santos são “obras-primas” de Cristo, que nos levam, por suas preces e seus exemplos, a reconhecer melhor a grandeza da nossa Redenção.
O culto aos Santos tem ao menos três sentidos profundos:
1. Dá gloria a Deus, de quem os Santos são obras primas de sua graça; são Santos pela graça de Deus,
2. Suplicam a eles a sua intercessão por nós e pela Igreja; e
3. Mostra-nos os Santos como modelos de vida a serem imitados uma vez que amaram e serviram a Deus perfeitamente.
As bases bíblicas do culto aos Santos vêm desde o Antigo Testamento. Até o século II a.C., os judeus acreditavam na existência do Hades ou do Cheol e no adormecimento da consciência dos defuntos num lugar subterrâneo, incapazes de serem punidos ou contemplados. Mas a partir do século II a.C., esta concepção foi abandonada pelo povo de Israel, que passou a crer que a consciência dos irmãos falecidos continuava lúcida e que eles vivem como membros do seu povo, e solidários com os fiéis peregrinos na terra, e intercedendo por e eles.
Pode-se ver isto claramente, por exemplo, no texto de Macabeus: “Macabeu, ao contrário, deixava-se levar por uma inteira confiança de que haveria de obter auxílio do Senhor. Exortava os seus companheiros a que não temessem o ataque dos gentios, a que se lembrassem dos auxílios já obtidos do céu e a que esperassem, pois também agora o Todo-poderoso lhes concederia a vitória. Encorajou-os citando a lei e os profetas, lembrou-lhes os combates outrora sustentados e inflamou-os desse modo com um novo ardor. Após haver-lhes reanimado o espírito, estimulou-os ainda, apresentando aos seus olhos a perfídia dos gentios e o desprezo da palavra dada. Assim armou a todos não com a segurança que vem das lanças e dos escudos, mas com a coragem que suscitam as boas palavras. Narrou-lhes ainda uma visão digna de fé uma espécie de visão que os cumulou de alegria. Eis o que vira: Onias, que foi sumo sacerdote, homem nobre e bom, modesto em seu aspecto, de caráter ameno, distinto em sua linguagem e exercitado desde menino na prática de todas as virtudes, com as mãos levantadas, orava por todo o povo judeu. Em seguida havia aparecido do mesmo modo um homem com os cabelos todos brancos, de aparência muito venerável, e nimbado por uma admirável e magnífica majestade. Então, tomando a palavra, disse-lhe Onias: Eis o amigo de seus irmãos, aquele que reza muito pelo povo e pela cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus. E Jeremias, estendendo a mão, entregou a Judas uma espada de ouro, e, ao dar-lha, disse: Toma esta santa espada que Deus te concede e com a qual esmagarás os inimigos. Entusiasmados por estas palavras de Judas, tão nobres e tão capazes de excitar a coragem e robustecer as almas dos jovens, decidiram os judeus não acampar, mas arrojar-se para a frente, travar com valor a batalha e obter assim uma decisão, porque a cidade, a religião e o templo estavam em perigo.” (2Mac 15, 7-17)
Vemos neste trecho que Jeremias, o profeta falecido no século VI a. C., aparece a Judas Macabeu no século II a.C., juntamente com o Sumo Sacerdote Onias ( também já falecido), como “o amigo de seus irmãos, aquele que muito ora pelo povo, pela Cidade Santa, Jeremias, o profeta de Deus”. Percebemos neste texto como os judeus foram auxiliados pela intercessão dos seus falecidos.
Diz a “Bíblia de Jerusalém” em nota de rodapé a 2Mc 15, 14: “Esse papel conferido a Jeremias e a Onias é a primeira atestação da crença numa oração dos justos falecidos em favor dos vivos”.
No Novo Testamento esta consciência da intercessão dos Santos é fortalecida. Na epístola aos Hebreus, o autor recorda os justos do Antigo Testemunho, e mostra a sua solidariedade com os ainda vivos na terra.
Ele imagina esses justos colocados num estádio como que a torcer pelos irmãos ainda existentes neste mundo; constituem uma densa nuvem de torcedores interessados. São testemunhas que nos acompanham nesta luta de hoje: “Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus. “ (Hb 12,1).
Os protestantes em sua maioria ensinam que os mortos estão “dormindo” e que somente na volta de Jesus haverá a ressurreição de todos; portanto, para eles, não há ninguém no céu ainda, mesmo que seja apenas com a alma, como ensina a Igreja Católica.
Ora, desde os primórdios da Igreja, ela acredita na imortalidade da alma, e que cada pessoa é julgada por Deus, imediatamente após a morte, recebendo já o seu destino eterno. E isto é muito claro nas Sagradas Escrituras.
A carta aos Hebreus diz claramente: “Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo” (Hb 9,27).
Jesus diz em Mt 10, 28: “ Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma (‘psyché’); temei, antes, aquele que pode fazer parecer na geena o corpo e a alma”.
A palavra grega “psyché” significa alma; então, o texto afirma a sobrevivência da alma após a destruição do corpo da pessoa.
Leiamos o seguinte texto bíblico: “Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico. Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas. Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio. Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas. Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento. Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá. O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos. Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos! O rico replicou: - Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão. Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos. (Lc 16, 19-31).
Na parábola do rico e do pobre Lázaro, Jesus apresenta a sobrevivência consciente tanto dos justos como dos injustos. O rico após a morte vai para um lugar de tormento; e o pobre para um lugar de gozo. Isto enquanto a vida continua na terra, quer dizer, antes da volta de Jesus. O rico tinha cinco irmãos que poderiam também se perder; e mostra que os defuntos sobrevivem após a morte e recebem já o prêmio ou o castigo.
Não se pode dizer que esta parábola é apenas mera ornamentação; ao contrário, traz um ensinamento religioso e doutrinário fundamental.
A ressurreição da carne no ultimo dia, na consumação da História com a volta de Jesus, dará algo mais á felicidade dos justos cujas almas já estão no gozo da presença de Deus. Essas almas se unirão a seus corpos ressuscitados e viverão na plenitude de suas pessoas. A ressurreição da carne completará a ordem e a harmonia que a alma Santa já desfruta após a morte.
“Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos. (Ap 6,9-11)
Neste trecho vemos que as almas dos justos martirizados aspiram, na presença de Deus, à plena restauração da ordem da justiça violadas pelo pecado; e assim, esperam algo que ainda não aconteceu, e que vai acontecer só na Parusia. Embora elas já estejam revestidas de vestes brancas, que é símbolo da vitória final e da bem-aventurança, continuam a acompanhar a nossa história, aguardando com expectativa o julgamento do Senhor.
É entranhada na teologia católica a devoção aos Santos, embora não seja obrigatória. Ela surge de uma perfeita compreensão do plano salvífico de Deus.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A importância das Imagens

Nas igrejas, as imagens tornam-se a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo função pedagógica de grande alcance. É o que notaram alguns escritores cristãos antigos:
• “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente”. (São Gregório de Nessa, século IV)
• “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem é para os iletrados”. (São João Damasceno)
O papa São Gregório Magno escrevia a Sereno, bispo de Marselha no fim do século VI: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas Igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra é aprender, mediante esta imagem, a que se dirigem as tuas preces. O que a escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes, ou seja, as imagens são os livros daqueles que não sabem ler.”
A tradição cristã reconheceu reiteradamente o valor pedagógico e psicológico das imagens, como suporte para a vida de oração. Assim por exemplo, escrevia Santa Tereza de Ávila (+1582) ao ensinar as vias da oração às suas religiosas: “Eis o meio que vos poderá ajudar: cuida de ter uma imagem ou a pintura do Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis tem trazê-la sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para entreterdes muitas vezes com Ele.” (Livro Caminho da Perfeição 43,1)
É bom ressaltar novamente que as imagens, quer elas sejam de Jesus Nosso Senhor, de Maria nossa Mãe ou dos Santos, servem para nos aproximar de Deus que é o único que deve ser adorado (latria) o que não nos impede de venerá-las ou seja “dulia”.
Repetindo; ter imagens em casa, quadros sacros não é ser idólatra. Idólatra é aquele que coloca algo ou alguém acima ou no lugar de Deus. Nós católicos não somos idólatras por termos imagens em nossas Igrejas e casas, o verdadeiro idólatra é o que cultua ídolos como o dinheiro, astros, o prazer, o poder, o corpo e tantos outros, coisas que são mais valorizadas nos dias de hoje do que o próprio Deus.
O correto não é acabar com as imagens de modo geral e indiscriminado, mas acabar com a ignorância, isso se consegue através da catequese, da evangelização, de que muito precisamos.
Certa pessoa leu um livro ruim e achou que todos os livros eram maus, bastou-lhe isso para atear fogo na biblioteca. Que mentalidade! Depois encontrou uma nota falsa no bolso, imediatamente pegou todo o dinheiro e rasgou-o, sem verificar a validade das demais notas. Da mesma forma, há quem assim procede com relação às imagens; lê na Bíblia que não se deve ter ídolos, deuses falsos e prontamente sem distinção das coisas, age adoidadamente, rasgando fotografias de familiares, quebrando e desprezando todas as imagens e gritando independência da idolatria. Deveria, antes gritar independência do fanatismo, declarar guerra à ignorância e a incapacidade de discernimento. A maldição do ídolo ou da idolatria não se confunde com o uso correto das imagens com ídolos não tem a mínima condição de anunciar a palavra de Deus.
Tudo o que é ídolo, deuses falsos a Igreja condena, como faz a Bíblia recomendando adoração, exclusivamente ao Deus verdadeiro, “Creio firmemente em um só Deus Pai todo poderoso, criador do céu e da Terra”.

Adorar um ídolo é reconhecer friamente, um Deus num objeto, isto sinceramente a Igreja nunca ensinou ou praticou.
Eis alguns esclarecimentos:
IMAGEM: é a representação de um ser em seu aspecto físico. Assim imagem é uma fotografia, uma estátua, um quadro, etc, uma recordação que lembra algo ou alguém além dela.
ADORAR: é o ato de considerar Deus como único Criador e Senhor do mundo. O culto de adoração somente se poder dar a Deus porque só Ele é o Criador e Senhor do Universo.
ÍDOLO: é um falso Deus, inventado pela fantasia humana (sol, lua, animais e outros citados anteriormente).
IDOLATRIA: é o ato de adorar o falso deus, ou seja, é considerar o falso deus como criador, senhor do universo. Esse é pior e mais pecado que se possa cometer: colocar algo ou alguém acima ou no lugar do Deus Verdadeiro.
VENERAR: é imitar, honrar, louvar, a Virgem e os Santos, porque são os nossos modelos de fé e na prática da caridade.
Quando as imagens não são para serem colocadas no lugar de Deus, isto é, quando as imagens não são para serem adoradas, então o mesmo Deus manda as fazer:
“Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.”(Ex 25,18-21)
“Farás o Tabernáculo com dez cortinas de linho fino retorcido de púrpura violeta, púrpura escarlate e de carmesim, sobre as quais alguns querubins serão artisticamente bordados.” (Ex 26,1.31)
“Fez dois querubins de ouro, feitos de ouro batido, nas duas extremidades da tampa...” (Ex 37,7)
“E o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo”.Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.” (Nm 21,8-9)
“Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura.”( 1 Reis 6,23)
“Nos painéis enquadrados de molduras, havia leões, bois e querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos leões e dos bois pendiam grinaldas em forma de festões.” (1 Reis 7, 29)
“Para o interior do Santo dos Santos, mandou esculpir dois querubins e os revestiu de ouro.” (2 Cr 3,10)
“Outro, por sua vez, que quer navegar e se prepara para atravessar as impetuosas ondas, invoca um madeiro de pior qualidade que o navio que o leva; porque o desejo do lucro inventou o navio, e uma hábil sabedoria dirigiu sua construção. Mas sois vós, Pai, que o governais pela vossa Providência, porque, se abristes caminho, mesmo no mar, e uma rota segura no meio das ondas - mostrando por aí que vós podeis tirar do perigo aquele que as afronta mesmo sem meios -, quereis entretanto que não sejam inúteis as obras de vossa sabedoria. Por isso os homens confiam a própria vida a um pouco de madeira e atravessam em segurança as ondas num navio. Assim, com efeito, quando na origem dos tempos fizestes perecer gigantes orgulhosos, a esperança do universo, refugiando-se num barco, que vossa mão governava, conservou para o mundo o germe de uma geração. Porque é bendito o madeiro pelo qual se opera a justiça, mas maldito é o ídolo, ele e o que o fez; este porque o formou, aquele porque, sendo corruptível, leva o nome de deus. Com efeito, Deus odeia tanto o ímpio quanto sua impiedade, e a obra sofrerá o mesmo castigo que o autor. Este é o motivo porque também os ídolos das nações serão julgados, porque, na criação de Deus, eles se tornaram uma abominação, objetos de escândalo para os homens, e laços para os pés dos insensatos. É pela idealização dos ídolos que começou a apostasia, e sua invenção foi a perda dos humanos. Eles não existiam no princípio e não durarão para sempre; a vaidade dos homens os introduziu no mundo. E, por causa disso, Deus decidiu a sua destruição para breve. Um pai aflito por um luto prematuro, tendo mandado fazer a imagem do filho, tão cedo arrebatado, honrou, em seguida, como a um deus aquele que não passava de um morto, e transmitiu, aos seus, certos ritos secretos e cerimônias. Este costume ímpio, tendo-se firmado com o tempo, foi depois observado como lei. Foi também em conseqüência das ordens dos príncipes que se adoraram imagens esculpidas, porque aqueles que não podiam honrar pessoalmente, porque moravam longe deles, fizeram representar o que se achava distante, e expuseram publicamente a imagem do rei venerado, a fim de lisonjeá-lo de longe com seu zelo, como se estivesse presente. Isto contribuiu ainda para o estabelecimento deste culto, mesmo entre os que não conheciam o rei; foi a ambição do artista, que, talvez, querendo agradar ao soberano, deu-lhe, por sua arte, a semelhança do belo; e a multidão, seduzida pelo encanto da obra, em breve tomou por deus aquele que tinham honrado como homem. E isto foi uma cilada para a humanidade: os homens, sujeitando-se à lei da desgraça e da tirania, deram à pedra e à madeira o nome incomunicável. Como se não bastasse terem errado acerca do conhecimento de Deus, embora passando a vida numa longa luta de ignorância, eles dão o nome de paz a um estado tão infeliz. Com efeito, sacrificando seus filhos, celebrando mistérios ocultos, ou entregando-se a orgias desenfreadas de religiões exóticas, eles já não guardam a honestidade nem na vida nem no casamento, mas um faz desaparecer o outro pelo ardil, ou o ultraja pelo adultério.
Tudo está numa confusão completa - sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade das uniões, adultérios e impudicícias - porque o culto de inomináveis ídolos é o começo, a causa e o fim de todo o mal. (Seus adeptos) incitam o prazer até a loucura, ou fazem vaticínios falsos, ou vivem na injustiça, ou, sem escrúpulo, juram falso, porque, confiando em ídolos inanimados, esperam não ser punidos de sua má fé. Contudo, o castigo os atingirá por duplo motivo: porque eles desconheceram a Deus, afeiçoando-se aos ídolos, e porque são culpados, por desprezo à santidade da religião, de ter feito juramentos enganadores. Pois não é o poder dos ídolos invocados, mas o castigo reservado ao pecador, que sempre persegue as faltas dos maus.”(Sb 14,1-30)
O sentido da veneração das imagens esta resumido nesta benção de imagens, segundo a tradição dos Apóstolos do Ritual Católico:
“Deus eterno e todo-poderoso, não reprovais a escultura ou a pintura das imagens dos santos, para que à sua vista possamos meditar os seus exemplos e imitar as suas virtudes. Nós vos pedimos que abençoeis e santifiquei esta(s) imagen(s), feita(s) para recordar o vosso Filho Unigênito e nosso Senhor Jesus Cristo ( ou: o(s) Santo(s) NN. Concedei a todos os que diante dela(s) desejarem venerar e glorificar o vosso Filho Unigênito (ou : o Santo(s) NN.), que por seus merecimentos e intercessão, alcançaram no presente a vossa graça e, no futuro, a glória eterna. Por Cristo, nosso Senhor. Amém”.