quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Resposta de Moisés (Parte 2)


Quais os pensamentos que existem em nosso coração? Que existiram no coração de Moisés naquela passagem do Mar Vermelho? Diante de tanta pressão. Diante de tanto obstáculo.

Moisés tem no seu temperamento uma característica – que muitos de nós temos também: a inclinação ou a tentação de fugir diante dos problemas.

Às vezes que não conseguimos as soluções, temos a fraqueza de fugirmos e achamos que, realmente, fugimos; quando na verdade a raiz dos problemas está dentro de nós e então não tem como fugir. Nós apenas os disfarçamos.

Moisés podia, mais uma vez, diante daquele povo, daquela situação, ter como falsa solução: a fuga. Ele poderia ter dito assim: “Irmãos tendes razão no que dizes. Dê-me um tempo para pensar e depois nos reuniremos para decidir. Vão para suas tendas”. Enquanto isto, ele foge, vai para o deserto ou suicida-se. E se ele fosse para o deserto ele conseguiria sobreviver, pois, ele já tinha vivido quarenta anos no deserto de Madiã, logo, ele sabia como sobreviver no deserto.

Essa possível solução, talvez, tivesse passado pela cabeça de Moisés e, com certeza, passa por nossos pensamentos. Quando nós não achamos solução, quando nós não temos por nós mesmos a resolução de algum problema ou mesmo quando não escutamos o Senhor, temos a tentação de fugirmos. Abandonarmos a missão, deixarmos o trabalho, chutar a balde. E está é uma fraqueza da qual precisamos ser curados e libertos: abandonar a missão, deixar a obra, largar tudo, principalmente nossos familiares, porque não achamos solução para os problemas. A tentação de fugir é muito comum em meio ao nosso cansaço, nossa fraqueza e também a tantas outras tentativas que já foram feitas. Isso é próprio do homem. É fraqueza humana.

Moisés poderia ter fugido porque, realmente, não tinha a solução, ou porque era próprio de seu temperamento. Ele poderia ter abandonado aquele povo, preservado sua vida e deixado aquele povo morrer. Ter reconstruído a sua vida e vivido, não se sabe, mais alguns anos.

Todavia, ele não fugiu e também não podemos fugir porque sabemos que esta situação faz parte da missão. É o momento em que o Senhor nos prova e nos coloca diante d´Ele mesmo. O que fazer? Quem é nosso Mar Vermelho? Nossos filhos? Esposo (a)? Quem é o faraó que está nos perseguindo? Dinheiro? Riqueza? Luxúria? Ostentação? O poder da sociedade?

Uma segunda alternativa – comum no nosso meio – é que muitas vezes imaginamos que as soluções de Deus na missão, são soluções heróicas e faraônicas. Como um daqueles anciãos havia sugerido a Moisés: “Armar o povo e lutar contra o Faraó. Morrer defendendo o nome do Senhor, morrer com honra.” E Moisés poderia ter caído nesta tentação que o mundo nos faz diante desses problemas: soluções heróicas. Porque para o mundo, o grande valor que se tem e que se exige; é que sejamos poderosos, ricos, que tenhamos poder nas mãos.

Moisés poderia, verdadeiramente, armar aquele povo, ir adiante, ir à frente, lutar contra o faraó e ainda morrer como um herói. E ele seria lembrado como: Moisés foi aquele que morreu pela espada do faraó defendendo o nome de Deus, defendendo a Palavra de Deus. Seria um herói. Porém, o Evangelho não é feito de heróis. O Evangelho é feito de servos, daqueles que servem. A opção de Jesus Cristo foi para servir: “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos"(Mt 10,45). A opção de Maria foi para servir: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lc 1,38).

Portanto, Moisés não poderia tomar essa atitude também. Todavia, por vezes, somos tentados a ter soluções heróicas. E isso é um perigo, principalmente, àqueles que são músicos, pregadores, coordenadores porque usam de seu serviço para serem heróis, para aparecerem como heróis na sua missão e vocação. Não é esta a missão, não é esta a vocação, não é este o caminho que temos de seguir.

Uma terceira possibilidade – também comum: a solução da falsa humildade. É a solução do falso servo. Qual a solução do falso servo? Moisés poderia diante dos anciãos dizer assim: “Irmãos tendes razão! Vou propor aos israelitas a volta como propus a saída. Assumo o meu erro e vou negociar com o faraó e arrumar uma saída honrosa. E o faraó vai aceitar nossa volta porque ele precisa do nosso serviço”. E Moisés seria lembrado como o Servo Humilde do Senhor porque reconheceu que errou. Todavia não seria, verdadeiramente, humilde. Seria hipócrita, sepulcro caiado. Pela razão de que, na verdade, ele tentou achar soluções por si, e como não conseguiu se promoveu como servo humilde para poder ser lembrado, reconhecido e exemplo de humildade a ser seguido. Porém, isso é falsa humildade.

Há diferença entre falsa humildade e a verdadeira humildade. O falso humilde é aquele que procura dentro da missão, não achando solução para os problemas, reconhecer seu erro e tentar consertá-lo. Mas, ele só faz isso porque não encontrou nenhuma solução. E o verdadeiro humilde é aquele que aceita fazer a vontade do Senhor, mesmo sofrendo.

Muitas vezes, nós temos a falsa coragem de reconhecer diante de todos os irmãos de caminhada, de pastoral, da equipe de serviço, do grupo ao qual participamos, das nossas famílias: “Eu reconheço que errei, mas vou consertar o meu erro”. Então voltamos ao que éramos antes, retrocedemos, regressamos ao Egito. Retornamos ao velho homem, voltamos a ser o homem velho, a mulher velha de antes.

Quantas vezes somos tentados para a saída da falsa humildade, não é mesmo? Ela é perigosa porque faz tirarmos nossa confiança da Palavra de Deus e faz-nos depositá-la na nossa capacidade. Na verdade, nós reconhecemos que erramos porque não conseguimos outra solução. E achamos que é melhor dizer que erramos do que dizermos que não temos solução e correr o risco de confiar no Senhor. Precisamos aprender a sermos, verdadeiramente, humildes como Jesus.

Moisés poderia ainda ter uma quarta saída, que foi a que ele optou: escolher, a luz do mundo, a louca opção de não fazer nada e esperar que o Senhor fizesse. Correr o risco que se o Senhor não tivesse feito nada, ele seria o errado. E é o que Moisés decide quando ele responde ao povo: “Não temais! Tende ânimo, e vereis a libertação que o Senhor vai operar hoje em vosso favor. Os egípcios que hoje vedes, não os tornareis a ver jamais. O Senhor combaterá por vós; quanto a vós, nada tereis a fazer.”(Ex 14, 13-14)

Esta é a opção de Moisés: não fazer nada. Se o Senhor os tinha trazido até lá, Ele também os levaria adiante. Esta opção é a opção da fé, do Evangelho: fazer a vontade do Senhor. Deixar Deus fazer. Ele falou, Ele fará. Aqui está o desafio de Moisés e o nosso: enfrentar a incógnita de Deus. Poderia Moisés pensar: “E se Deus resolver não me ajudar? Teria sido só minha culpa?”

Jesus no horto das Oliveiras vai suar sangue porque sofre, porque está em profunda solidão. Traído por aqueles a quem Ele dedicou sua própria vida, aqueles a quem Ele mais amou. Ele escolhe no horto das oliveiras: o cálice de sangue, a angústia, a solidão, o sofrimento. Ele escolhe a vontade do Pai. Ele não escolheu a coroa de rei, mas a vontade do Pai. E a vontade de Deus exige d´Ele naquele momento a experiência do sofrimento, da angústia e da solidão.

Moisés naquele momento escolhe fazer a vontade de Deus, confiar na Palavra de Deus, correr o risco de que o mar poderia não se abrir. Ele tem nesse momento duas faces: a face da coragem – ele era impulsionado pelo Espírito de Deus, quando grita ao povo para não temer -; e a face do medo – por fora ele falava com destemor e ao povo com confiança e por dentro ele clamava, suplicava, tinha medo e seu medo não era pequeno. De um lado ele tinha a resposta da fé e de outro ele é arrastado pela angústia do desespero.

Portanto, diante de nosso mares vermelhos, diante dos nossos faraós, a opção a ser seguida é fazer a vontade de Deus. Confiar, dar os primeiros passos em direção ao Mar Vermelho, em direção ao Faraó e esperar que o Senhor faça. Não deixemos o medo de confiar no Senhor tomar conta de nossa alma.

O texto diz: “Disseram então os egípcios: Fujamos diante de Israel, porque o Senhor combate por eles contra o Egito.” (Ex 14,25)

Deixemos o Senhor combater por nós, permitamos que Ele combata por nós. A melhor opção diante do faraó e do Mar Vermelho é fazer a vontade de Deus. Assim como Jesus no horto das Oliveiras e assim como Maria, mãe de Jesus, escolhamos fazer a vontade de Deus. Mesmo sendo no escuro, no deserto, diante do Mar Vermelho e parecendo que o faraó é maior, mais forte e mais poderoso; escolhamos com alegria fazer a vontade do Senhor.

Que de agora em diante o cântico de Moisés possa ser o nosso cântico, pois tudo que amedrontava o povo afundou no mar. Tudo que nos afasta de Deus será submerso desde que tenhamos a coragem de dar o primeiro passo. Eu não fiz nada, o Senhor fez! Eu não faço nada, o Senhor é quem faz!

Cantemos o cântico de Moisés, o Cântico dos Batizados:

“Cantarei ao Senhor, porque ele manifestou sua glória. Precipitou no mar cavalos e cavaleiros. O Senhor é a minha força e o objeto do meu cântico; foi ele quem me salvou. Ele é o meu Deus – eu o celebrarei; o Deus de meu pai – eu o exaltarei. O Senhor é o herói dos combates, seu nome é Javé. Lançou no mar os carros do faraó e o seu exército; a elite de seus combatentes afogou-se no mar Vermelho; o abismo os cobriu; afundaram-se nas águas como pedra. A vossa (mão) direita, ó Senhor, manifestou sua força. Vossa direita aniquilou o inimigo. Por vossa soberana majestade derrotais vossos adversários; desencadeais vossa cólera, e ela os consome como palha. Ao sopro de vosso furor amontoaram-se as águas; levantaram-se as ondas como muralha, solidificaram-se as vagas no coração do mar. Dizia o inimigo: perseguirei, alcançarei, repartirei o despojo, satisfarei meu desejo de vingança, desembainharei a espada, minha mão os destruirá. Ao sopro de vosso hálito o mar os sepultou; submergiram como chumbo na vastidão das águas. Quem entre os deuses é semelhante a vós, Senhor? Quem é semelhante a vós, glorioso por vossa santidade, temível por vossos feitos dignos de louvor, e que operais prodígios? Apenas estendestes a mão, e a terra os tragou. Conduzistes com bondade esse povo, que libertastes; e com vosso poder o guiastes à vossa morada santa. Ao ouvir isso, estremeceram os povos. Um pavor imenso apoderou-se dos filisteus; os chefes de Edom ficaram aterrados; a angústia tomou conta dos valentes de Moab; tremeram de medo todos os habitantes de Canaã. Caíram sobre eles o terror e a angústia, o poder do vosso braço os petrificou, até que tivesse passado o vosso povo, Senhor até que tivesse passado o povo que adquiristes para vós. Conduzi-lo-eis e o plantareis na montanha que vos pertence, no lugar que preparastes para vossa habitação, Senhor, no santuário, Senhor, que vossas mãos fundaram. O Senhor é rei para sempre, sem fim!”(Ex 15, 1-18)

2 Intercessões:

Fabíola Faria disse...

Muito abençoado seu blog, com certeza inspiração para o meu! Continuarei vindo sempre...
fique com Deus

Anônimo disse...

Amei o seu blog voltarei sempre aqui;

e para melhorar o seu blog ;
eu vou te mandar umas Bíblias eletronica;

Nova Tradução na Linguagem de Hoje


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Mariah Maria