Primeiro Grau: Buscar a Vontade de Deus
“Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena.” (Mt, 10,28)
“Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga.” (Mc 9,47)
O primeiro grau consiste em buscar a obediência a Deus em todas as coisas e não cometer nenhum pecado mortal. Estar sujeito e submisso a vontade de Deus e por causa do amor de Jesus não cometer nenhum tipo de pecado mortal.
Esse é o primeiro passo em direção à santidade. É o primeiro degrau, o passo elementar. Consiste em nos esforçarmos, ou seja, nos dedicarmos a não cometer nenhum tipo de pecado mortal, livrando-se dele a todo custo com penitências, abstinências, jejuns, mortificações; mesmo que isto custe amigos, posições, riquezas e vontades.
Só para nos recordarmos: “O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrário à lei eterna".(CIC 1849)
E o que é mesmo pecado mortal?
“Para que um pecado seja mortal requerem-se três condições ao mesmo tempo: é pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente. A matéria grave é precisada pelos Dez mandamentos, segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: "Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe" (Mc 10,19). O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus. Envolve também um consentimento suficientemente deliberado para ser uma escolha pessoal. A ignorância afetada e o endurecimento do coração não diminuem, antes aumentam, o caráter voluntário do pecado.” (CIC 1857- 59)
Segundo Grau: Fazer a vontade de Deus
“Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado.” (Jo 8,29)
O segundo grau é fazer a vontade de Deus em todos os momentos e não cometer nenhum pecado venial. Por a vontade de Deus como objetivo em nossa vida, por isso não cometer nenhum pecado venial e buscar sempre a santidade.
Todos somos pecadores e estamos a caminho da santidade. “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação.” (1Ts 4,3) Portanto, podemos dizer que estamos a caminho da santificação. Por isso, nós podemos afirmar que é preciso o nosso esforço e a graça de Deus para alcançarmos este segundo passo.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica no número 1862-63: “Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento. O pecado venial enfraquece a caridade; traduz uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral; merece penas temporais. O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal. Mas o pecado venial não quebra a aliança com Deus. É humanamente reparável com a graça de Deus. Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna.”.
Não cometer pecado nenhum venial é difícil porque os pecados mais difíceis de nós evitarmos são estes que cometemos a toda hora: fofoca, calúnia, mentira, difamação, omissão. Porém, com a graça e o nosso esforço somos capazes, pois “não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela” (1Cor 10,13).
Terceiro Grau: O Viver é Cristo
“Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.” (Fl 1,21)
O último e terceiro grau baseia-se em viver como Jesus viveu. Viver a vida de Jesus, preferir a loucura da cruz à sabedoria humana. Até mesmo, amar as injúrias, as injustiças, os opróbrios, as perseguições, quando produzidos pelo serviço a Deus. Amar tudo aquilo que sofremos em conseqüência de termos assumido a missão.
Uma coisa que nos entusiasma viver Cristo ou ser Cristo são as palavras do Catecismo da Igreja Católica que dizem: “Por sua vida segundo Cristo, os cristãos apressam a vinda do Reino de Deus, do "Reino da justiça, da verdade e da paz". Nem por isso se descuidam de suas obrigações terrestres; fiéis a seu Senhor e Mestre, eles as cumprem com retidão, paciência e amor.” (CIC 2046)
Logo, viver Cristo é apressar a Vinda do Senhor e do seu Reino de Verdade, Justiça e Paz.
Que o Senhor nos abençoe, a fim de que possamos ser servos autênticos, a exemplo de Moisés, conforme o Coração de Deus.
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