“Nesse mesmo dia, o Senhor disse a Moisés: Sobe à montanha de Abarim o monte Nebo, que está na terra de Moab, defronte de Jericó, e contempla a terra de Canaã, cuja posse dou aos filhos de Israel. Morrerás sobre essa montanha em que vais subir, e serás reunido aos teus, como o teu irmão Aarão morreu sobre o monte Hor e foi reunido aos seus, porque pecastes contra mim no meio dos israelitas, nas águas de Meribá, em Cades, no deserto de Sin, e não me santificasses no meio dos filhos de Israel. Verás, pois, defronte de ti a terra que darei aos israelitas, mas não entrarás nela. Subiu Moisés das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Fasga, defronte de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Galaad até Dá, todo o Neftali, a terra de Efraim e de Manassés, todo o território de Judá até o mar ocidental, o Negeb, a planície do Jordão, o vale de Jericó, a cidade das palmeiras, até Segor. O Senhor disse-lhe: Eis a terra que jurei a Abraão, a Isaac e a Jacó dar à sua posteridade. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela. E Moisés, o servo do Senhor, morreu ali na terra de Moab, como o Senhor decidira. E ele o enterrou no vale da terra de Moab, defronte de Bet-Fogor, e ninguém jamais soube o lugar do seu sepulcro. Moisés tinha cento e vinte anos no momento de sua morte: sua vista não se tinha enfraquecido, e o seu vigor não se tinha abalado. Os israelitas choraram-no durante trinta dias nas planícies de Moab; e, passado esse tempo, acabaram-se os dias de pranto consagrados ao luto por Moisés. Josué, filho de Nun, ficou cheio do Espírito de Sabedoria, porque Moisés lhe tinha imposto as suas mãos. Os israelitas obedeceram-lhe, assim como o Senhor tinha ordenado a Moisés. Não se levantou mais em Israel profeta comparável a Moisés, com quem o Senhor conversava face a face. (Ninguém o igualou) quanto a todos os sinais e prodígios que o Senhor o mandou fazer na terra do Egito, diante do faraó, de seus servos e de sua terra, nem quanto a todos os feitos e às terríveis ações que ele operou sob os olhos de todo o Israel.” (Deut 32, 48-52 - 34, 1-12)
Estes dois textos nos mostram algumas características do término da nossa missão. Porém, antes de explorarmos os três aspectos mais importantes é necessário ressaltar que precisamos ter consciência de que quem realiza a obra é o Senhor, portanto o momento de deixar a linha de frente é o momento que o Senhor decidir. Moisés morreu mediante a decisão do Senhor.
Os aspectos mais importantes na morte de Moisés são:
1- O Sofrimento
Por que Moisés morreu no sofrimento?
Moisés contemplou a terra prometida, mas não entrou nela; pois foi punido porque pecou nas águas de Meribá. Ele morreu no sofrimento porque morreu longe de sua família, sozinho, longe de sua pátria e fora do momento que desejava morrer.
O texto diz que “Moisés tinha cento e vinte anos no momento de sua morte: sua vista não se tinha enfraquecido, e o seu vigor não se tinha abalado” (Deut 34,7). O que significa isso? Significa que Moisés ainda era um homem forte capaz de gerar filhos. Exprime para nós que nossa missão se encerra não quando estamos velhos, cansados, desgastados, ou mesmo não temos mais forças de levar adiante a obra. A nossa missão acaba no momento que Deus decide. É Ele quem decide o tempo e quando não temos mais condições de realizar a missão ou estar à frente.
Moisés morreu no sofrimento também porque cumpriu a missão até o fim. Moisés ao final da missão já não tem o mesmo coração que ele tinha no início do chamado. O coração de Moisés é um coração com a identidade do coração do Senhor. E qual é a identidade do coração do Senhor? Nós rezamos a identidade no coração do Senhor na jaculatória: “Senhor, fazei meu coração semelhante ao vosso: manso e humilde de coração!” Moisés teve um coração manso e humilde.
Moisés morreu no sofrimento porque morreu abraçando a sua missão.
2- A Solidão
O sepulcro de Moisés até hoje é desconhecido. Ele morreu na solidão porque nem mesmo seus familiares são testemunhas do seu enterro. A única testemunha da morte de Moisés é o próprio Senhor. Moisés morreu na solidão também visto que morreu longe de sua pátria; porque morreu no meio do caminho, nem em Canaã e nem em sua pátria, mas no meio do deserto em cima de um monte.
Moisés experimentou a solidão dos homens. A solidão dos homens aqui significa não termos companhia dos homens porque eles querem fazer a vontade humana e nós a vontade divina e por isso não nos aceitam, não nos acolhem. Exprime que ao término de nossa missão não devemos esperar nenhum agradecimento, louvor, festa, despedida ou honra. Todavia, o fim da missão deverá dar-se quando o Senhor decidir e somente Ele será testemunha disso.
Terminar a missão na solidão é não agradar aos homens, o mundo e o faraó. Viver a solidão na missão é não ser aceito por muitos, mas compreendido pelo Senhor. É viver a solidão humana, mas a companhia do Senhor.
3- A Obediência
Moisés obedeceu à vontade do Senhor até a morte. Ele obedeceu até o último momento. O Senhor pediu e Moisés obedeceu: subiu ao monte e lá morreu.
O término de nossa missão deve dar-se também não obediência. Obedecer à vontade de Deus, a Palavra de Deus manifesta na Palavra da Igreja e naquele que são nossos pastores, que estão à frente.
Essas três características que acompanharam o término da missão de Moisés, provavelmente, acompanharão o término de nossa missão também.
Ao contrário do que pensamos nossa missão não deverá terminar quando estivermos cansados, quando decidirmos por conta própria, quando estivermos magoados com os companheiros de caminhada ou quando não tivermos mais soluções para os problemas que aparecem. O fim da missão, da vocação, do serviço deverá ser quando o Senhor decidir.
Não devemos esperar recompensa humana. Não devemos esperar entrar na terra prometida. Pois, a terra prometida era uma recompensa para aquele povo, mas ela não era o céu. E a maior recompensa que devemos almejar é a salvação, a vida eterna que o Senhor já conquistou para cada um de nós.
Em especial para aqueles que coordenam, lideram ou são dirigentes de algum grupo, pastoral ou movimento da Igreja: quando o Senhor decidir que é o momento de sairmos da linha de frente, devemos acolher e demonstramos obediência. E como sinal desta obediência deverá ocupar nosso lugar aquele que o Senhor escolher e não aquele que nós mesmos escolhermos pelos nossos critérios humanos, pela inteligência, pela eloquência, pela postura, pelo poder de persuasão, pela condição na sociedade, porque tem condições de sustentar a pastoral, o grupo, o movimento. Portanto, é preciso que tenhamos despojamento, humildade de aceitar aquele que o Senhor colocar em nosso lugar.
Devemos deixar a frente sem reclamações, murmurações, sem achar que temos direito a alguma recompensa, festa ou honra porque aquele que realizou toda a obra foi o Senhor. Somos servos dignos de confiança à medida que trocamos os nossos projetos pelos projetos de Deus. Nossos planos pelos planos de Deus. E sabemos que a obediência, a solidão e o sofrimento são partes integrantes da missão e que elas nos aproximam do termo final: SER ENTREGUE, ESTAR ENTREGUE tanto para a maldição quanto para a adoração.
Não devemos esperar recompensa humana, devemos buscar a salvação, a vida eterna porque é isto que Jesus Cristo conquistou com sua própria Vida para cada um de nós e para cada um daqueles que o Senhor colocou sobre nossa responsabilidade.

1 Intercessões:
Thank you, that was extremely valuable and interesting...I will be back again to read more on this topic.
Postar um comentário