segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os Serviços de Moisés: O Serviço da Responsabilidade



“Eu disse-vos nessa mesma época: eu sozinho não posso tomar conta de vós. O Senhor, vosso Deus, vos multiplicou de tal modo que sois hoje tão numerosos como as estrelas do céu. Que o Senhor, o Deus de vossos pais, vos multiplique mil vezes mais e vos abençoe como prometeu. Como poderia eu sozinho encarregar-me de vós e levar o fardo de vossas contendas? Escolhei, de cada uma de vossas tribos, homens sábios, prudentes e experimentados, que eu ponha à vossa frente. Vós então me respondesses: é uma boa coisa o que nos propões. Tome, pois, dentre vós, homens sábios e experimentados que pus à vossa frente como chefes de milhares de centenas, de cinquentenas e de dezenas e como escribas em vossas tribos. Nesse mesmo tempo dei esta ordem aos vossos juízes: dai audiência aos vossos irmãos e julgai com eqüidade as questões de cada um deles com o seu irmão ou com o estrangeiro que mora com ele. Não fareis distinção de pessoas em vossos julgamentos. Ouvireis o pequeno como o grande, sem temor de ninguém, porque o juízo é de Deus. Se uma questão vos parecer muito complicada, trá-la-eis diante de mim para que eu a ouça.” (Dt 1,9-17)

Verificamos neste trecho do Deuteronômio o segundo serviço que Moisés prestou ao povo de Israel: o Serviço da Responsabilidade.

Esse serviço gera peso, causa peso sobre nós. Porque é um serviço que nos leva a nos comprometermos com os nossos irmãos. Na medida em que evangelizamos nosso próximo, nos comprometemos com ele. Visto que não podemos simplesmente anunciar Jesus Cristo, o irmão ter uma experiência do Senhor e no fim; ele não ter com quem partilhar e amadurecer essa experiência vivida. Isso é tão verdade, que desde a Igreja Primitiva é necessário a comunidade, estar em comunidade.

O serviço da responsabilidade é assumirmos esse crescimento, é quando nos responsabilizamos pelo crescimento do nosso irmão na graça de Deus. É quando somos suporte para a conversão dele. Quando somos testemunhas de Jesus para o nosso próximo. Quando partilhamos e participamos da vida do nosso irmão. Este serviço requer de nós um compromisso: que além de anunciar Jesus Cristo, possamos continuar essa missão fora dos muros da Igreja. Significa que ao sair da Igreja a missão continua, a evangelização prossegue, o vínculo de comunidade permanece.

Moisés falou de Deus para o faraó e para o povo escravo no Egito. Após isso, caminhou com aquele povo pelo deserto: participando da vida deles, acolhendo-os, perdoando-os, orientando-os, direcionando-os, mostrando o caminho a ser seguido. Ou seja, Moisés se tornou responsável por aquele povo. Isso causou em Moisés algum peso? Claro que sim! Mas ele assumiu esse serviço que é ser compreensivo, acolhedor, perdoador, que é caminhar com o irmão.

Uma das coisas mais importante dentro da Igreja, das pastorais, dos movimentos, dos grupos é o serviço da responsabilidade um para com os outros. Não basta apenas encontrar os irmãos nos encontros ou nas reuniões na Igreja. È necessário participarmos da vida de nosso próximo. É necessário formarmos comunidade com nossos irmãos, para que formando comunidade possamos ser sustento uns para com os outros.

A vida em comunidade foi uma das coisas que sustentou os pilares da Igreja. Aonde eles perseveravam na oração em comum, na fração do pão, na doutrina dos apóstolos. A comunidade é sustento. E na medida em que nos responsabilizamos por nossos irmãos, evangelizamo-los e caminhamos com eles, participando de suas vidas porque também somos seu sustento.

Não é próprio do Evangelho uma evangelização alienada, desgarrada do compromisso. A evangelização tem que gerar em nós compromisso com o irmão.
Que o Senhor nos dê a graça de sermos compromissados com Ele e com o nosso próximo.

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