domingo, 3 de outubro de 2010

O Espírito Santo intercede por nós






















Da mesma forma, o Espírito também vem em auxílio de nossa fraqueza; pois não sabemos orar como devíamos, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inenarráveis. E aquele que perscruta os corações sabe qual é a intenção do Espírito, porque ele intercede pelos santos, de acordo com a vontade de Deus (Rm 8,26-27).
No Pai-nosso Jesus estava ensinado muito mais do que um certo conjunto de palavras. Ele nos estava dando a chave mestra da oração ­- a verdade de que vamos diante de Deus como filhos de um Pai amoroso.
Um dos enganos mais comuns que cometemos quando oramos é pensar que nosso relacionamento com o Pai depende inteiramente de nós. Sentimos que temos que ganhar um lugar na família de Deus. Temos que levar exatamente o tempo correto em oração, seguir todas as regras para um comportamento semelhante ao de Cristo, ficar totalmente livres de pecado. Se não estamos fazendo tudo certinho, não podemos realmente esperar que Deus ouça nossas orações e nos trate como filhos
E não é nada disto o que a Sagrada Escritura nos diz. Na verdade, a Escritura nos diz que nunca poderíamos ganhar o direito de chamar Deus de Pai. Somos filhos de Deus uma razão apenas - porque Deus nos ama. Ele me ama a cada um de nós. Ele nos ama  tanto que enviou seu Filho único para sofrer a punição pelos nossos pecados. Ele nos ama tanto que ele nos adotou por filho. Ele pôs seu próprio Espírito Santo dentro de nós, “o Espírito de seu Filho... que clama ‘Abba’ , Pai!” (GI 4,6).
“Vede que amor o Pai tem por nós que possamos ser chamados filhos de Deus”, escreve o apóstolo João. “Nisto está o amor, não que tenhamos amado Deus, mas que ele nos tenha amado e enviado seu Filho em expiação de nossos pecados” (I Jo 3,1 ; 4,10). 
Tudo isto quer dizer que, quando nos voltamos para o Pai em intercessão, não temos que nos preocupar se fizemos certinho todas as coisa. Talvez não estejamos seguros do que Deus realmente quer em determinada situação. Talvez nossas preocupações pareçam muito pequenas e mesquinhas para incomodar Deus com elas. Talvez achemos que não somos bastante santos ou bastante engajados para que nossas orações tenham real poder.
Nada disto importa. Porque, quando invocamos Deus como nosso Pai, estamos contando com seu amor por nós, e não em nossa sabedoria ou santidade ou importância. Podemos confiar que nossas orações têm poder porque o Espírito Santo - o Espírito que faz de nós filhos de Deus - intercede por nós e através de nós.
Na Carta aos Romanos, encontramos a mais completa declaração das Escrituras sobre a verdade de que nossa situação diante de Deus não depende de nossos méritos, mas do dom que Deus nos fez em Jesus.
“Pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados. Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus.  Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia.  Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo. Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera?  Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos. Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis.  E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus.  Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios. Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos.  E aos que predestinou, também os chamou; e aos que chamou, também os justificou; e aos que justificou, também os glorificou. Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?  Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas?  33.Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.  Quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à mão direita de Deus, é quem intercede por nós! Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou. Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8, 14-39)
De acordo com São Paulo, “aqueles que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”; logo, “Ninguém pode dizer Jesus é Senhor, senão pelo Espírito Santo”( 1Cor 12,3 ) . E “a cada um é dada a manifestação(dom) do Espírito para algum benefício” (1Cor 12,7). Esse Espírito Santo quer dar fruto em nós e “o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, bondade, generosidade, fidelidade, mansidão, autodomínio”( Gál 5,22-23).
O Espírito Santo nos capacita a chamar Deus de “Abba”, que significa “Meu Pai” ou “Pai Amado”. A única passagem do Evangelho que usa o título de “Abba” é Marcos 14,36 – a oração de Jesus no jardim de Getsêmani: “Aba! (Pai!), suplicava ele. Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres.” Esta passagem mostra claramente que ao intercedermos devemos interceder como filhos que pedem ao Pai.
São Paulo diz que há uma condição para participar da herança de Jesus: “Se sofrermos com ele para que sejamos glorificado com ele” (8,17). Isto é, o intercessor é aquele que “sofre” em oração em favor de algo pelo próximo. A passagem ainda diz que gememos enquanto esperamos a plenitude da redenção de Deus. A nossa intercessão são esses gemidos e essas agonias em favor do mundo.
O apóstolo Paulo assegura-nos “que todas as coisas trabalham para o bem” daqueles que Deus chamou. Freqüentemente, quando estamos intercedendo por alguém, precisamos apegar-nos a esta mesma certeza, porque as coisas parecem piorar em vez de melhorar!  Muitas vezes o que parece ser uma virada para pior, na verdade é Deus fazendo algo para o nosso bem.
Às vezes, duvida do amor e cuidado de Deus pelas pessoas por quem temos orado, mas asserção no amor que Jesus e seu Pai mostraram por nós faz com que estas promessas de amor de Deus construam nossa fé com relação àquilo que ele quer fazer em resposta a nossas orações.
Uma das melhores maneiras de entregar nossa oração ao Espírito Santo é orar em línguas. De fato, isto pode ser o que Paulo quis dizer com “gemidos inefáveis” (Rm 8,26). Em outro lugar, Paulo escreveu que “quem ora em línguas não fala a homens mas a Deus, pois ninguém o entende; ele fala mistérios no espírito” (1Cor 14,2).
Orar em línguas proporciona uma experiência muito clara do Espírito Santo orando através de nós. O que estamos dizendo, não importa – somente que nos entreguemos à ação do Espírito.
Quem ora em línguas, que tente dedicar a isto parte de seu tempo de oração de intercessão. Assim, descobriremos que orar em línguas pode ser uma forma muito poderosa de intercessão.
Aqueles que nunca exerceram este dom, podem achar útil outra forma de oração sem palavras. Simplesmente ficar quieto diante do Senhor, pode ser uma forma de oração no Espírito. Mas também considere aproveitar esta ocasião para pedir ao Senhor o dom de línguas. Não há nada de complicado ou mágico em começar a orar em línguas. Apenas abrir-se e deixar o Espírito fazer a oração!

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