domingo, 1 de agosto de 2010

Os Serviços de Moisés


“Ouvi bem, disse ele, o que vou dizer: Se há entre vós um profeta, eu lhe aparecerei em visão; eu, o Senhor, é em sonho que lhe falarei. Mas não é assim a respeito de meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. A ele eu lhe falo face a face, manifesto-me a ele sem enigmas, e ele contempla o rosto do Senhor. Por que vos atrevestes, pois, a falar contra o meu servo Moisés?” (Nm 12, 6-8)

Para entendermos melhor o porquê de Deus chamar Moisés de Servo leremos agora um comentário de São Gregório de Nissa escrito em um dos textos da Igreja conhecido como Sobre a Vida de Moisés:

“Que aprendemos com estas palavras? A ter um só fim durante a vida: ser chamados servidores de Deus por nossas ações. Assim pois, quando tiveres vencido todos os inimigos, - o egípcio, o amalecita, o idumeu, o madianita -, quando tiveres atravessado o mar, quando tiveres sido iluminado pela nuvem, quando estiveres adoçado pelo lenho, quando tiveres bebido da rocha, quando tiveres provado o alimento do manjar celestial, e pela pureza e inocência tiveres aberto um caminho para a subida da montanha; quando, uma vez chegado ali, tiveres sido instruído no mistério divino pelo som das trombetas, e nas trevas que impedem ver te tiveres aproximado de Deus por meio da fé e ali se te hajam dado a conhecer os mistérios da tenda e da dignidade do sacerdócio; Quando te tenhas convertido em escultor de teu próprio coração a ponto de fazer gravar nele pelo mesmo Deus os oráculos divinos; quando tiveres destruído o ídolo de ouro, isto é, quando tiveres feito desaparecer de tua vida a paixão da ambição; quando te hajas elevado de forma que apareças invencível à feitiçaria de Balaam, - ao ouvir falar de feitiçaria entendas o variado engano desta vida, através da qual os homens, como se houvessem bebido de alguma taça de Circe, extraviando-se da própria natureza, tomam as formas de animais irracionais-, quando tiveres passado por tudo isto, e tiveres floreado em ti o ramo do sacerdócio sem que hajas tomado nenhuma umidade da terra para germinar, mas por ter dentro de si o poder de dar fruto, o fruto da amêndoa, cujo primeiro contato é áspero e desagradável, porem cujo interior é doce e comestível; quando tiveres elevado até a aniquilação, - sepultado sob a terra como Datan ou consumido pelo fogo como Coré-, tudo aquilo que se opõe a tua dignidade, então te haverás aproximado do fim. Entendo por fim aquilo por cuja causa se faz tudo, como o fim da agricultura é o gozo dos frutos, o fim da construção de uma casa é habitá-la, o fim do comércio é enriquecer-se e o de todos os esforços desportivos é a coroa de vencedor. O fim da vida superior é ser chamado servidor de Deus...”

São Gregório de Nissa que nos dizer com este comentário que Moisés chega ao cume da vida cristã: O Serviço. A essência da vida cristã está na diaconia, no serviço, estar a serviço do irmão. Os dons e os carismas nos são dados para o serviço. Eles só tem sentido se os recebermos em benefício para o próximo, para o bem comum.

Todo e qualquer dom e carisma nos é dado para estar a serviço do próximo, para o bem comum de todos; não somente para nós mesmos. Estar a serviço do irmão foi o que Moisés, Jesus e Maria fizeram: Se colocaram a serviço dos irmãos, dos mais necessitados aos menos necessitados.

No Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia, podemos tirar cinco serviços básicos que Moisés dedicou àquele povo durante toda a sua vida e esses também nós devemos prestar a nossa comunidade.

Conhecendo os serviços de Moisés e os tendo como exemplo, para que ao prestarmos os mesmos serviços, que possamos ser exemplos para o povo; que são os destinatários, o objeto de nossa missão. Estar a serviço é dedicar-se ao outro. Aos que são coordenadores de grupos, movimentos e pastorais, e a todos os que estão à frente na Igreja que possamos entender que estar a frente não por sermos privilegiadas, mas por sermos os primeiros a servir.

Ser coordenador não é estar na condição de privilegiado. Esta não é a condição do Evangelho e também não é o objetivo de ser coordenador. É justamente o contrário, deve-se usar da posição de coordenador para ensinar com seu próprio serviço. Ser como Moisés: líder, condutor do povo, pastor de ovelhas. Lembremos que eram muitas pessoas: uma nação, toda uma raça. Todavia, Moisés sendo instrumento de Deus, instrumento poderoso; ele não se colocou como privilegiado, mas como servo. Ele é exemplo de serviço, de diaconia, de despojamento, de humildade, de amor ao irmão.

Moisés nos ensina, basicamente na literatura do Pentateuco, cinco serviços básicos que ele fez naquela época e que hoje também são necessários para todas as pessoas que estão a nossa volta: o Serviço das Necessidades Básicas, o Serviço da Responsabilidade, o Serviço da Oração e da Intercessão, o Serviço da Consolação e da Animação e o Serviço da Palavra.

Todos nós necessitamos desses serviços e o mundo também, principalmente na realidade que temos vivido: um mundo tão desregrado moralmente e eticamente dos valores do Evangelho. Vivemos em um mundo que clama urgentemente por verdadeiras Testemunhas de Serviço; Testemunhas do Reino de Deus.

Que nossa resposta ao serviço de Deus possa ser como a de Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1, 38)

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