sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Cristãos Consumistas?


“Fiquei imensamente contente, no Senhor, porque, finalmente, vi reflorescer o vosso interesse por mim. É verdade que sempre pensáveis nisso, mas vos faltava oportunidade de mostrá-lo. Não é minha penúria que me faz falar. Aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso naquele que me conforta. Contudo, fizestes bem em tomar parte na minha tribulação. Vós que sois de Filipos, bem sabeis como, no início do meu ministério evangélico, quando parti da Macedônia, nenhuma comunidade abriu comigo contas de deve-haver, senão vós somente. Já por duas vezes mandastes para Tessalônica o que me era necessário. Não é o donativo em si que eu procuro, e sim os lucros que vão aumentando a vosso crédito. Recebi tudo, e em abundância. Estou bem provido, depois que recebi de Epafrodito a vossa oferta: foi um suave perfume, um sacrifício que Deus aceita com agrado. Em recompensa, o meu Deus há de prover magnificamente a todas as vossas necessidades, segundo a sua glória, em Jesus Cristo. A Deus, nosso Pai, seja a glória, por toda a eternidade! Amém.” (Fil 4, 10-20)
Geração Coca-cola! Geração Nike! Eis alguns apelidos dados a juventude atual – uma geração que cresce nos shoppings e sofre uma forte influência deste ambiente. Diferentemente de outras partes da cidade, os shoppings são multicoloridos, limpos, perfumados, refrigerados, onde não há pedintes, mendigos, meninos de rua, poluição, etc. uma visão “shoppingcenteriana” começa a dominar a cabeça de muita gente. Esta mentalidade discrimina, distancia e separa os vários tipos de pessoas.
Super ( e hiper) Mercados, lojas, bancos, restaurantes, lanchonetes, passeios, viagens, etc; apresentam um cardápio cheio de variedades. Há uma propaganda forte preparada para promover as vendas. Até as autoridades se encontram preocupadas com o consumismo de nossa gente.
Para muitos a vida se transforma em uma roda vida: trabalho – dinheiro – gastos - trabalho- dinheiro. Muita gente compra pelo mero prazer de gastar. E aí, comprar vira uma obsessão. Às vezes, sem poder e sem querer, muita gente acaba comprando algo que não será bem aproveitado. É o problema desperdício. Os supérfluos, as novidades e liquidações impõem um consumo exagerado. E o pessoal se deixa levar pelas ofertas e promoções, sem pensar nas consequências. E o pior de tudo: muitos irão para o buraco, endividados até o fundo do poço. O consumismo é um desafio que alcança as pessoas de todas as idades.
Dizem que a propaganda é alma do negócio, sendo que na verdade, a propaganda é arma do negócio. Constantemente somos confrontados com propagandas muito bem feitas que nos induzem ao consumo. É preciso resistir à propaganda e aos promotores de venda que nos induzem à aquisição de produtos desnecessários. Quando isto acontecer quatro perguntas chaves devem ser respondidas: 1) Preciso disto? 2) O uso que vou fazer justifica a compra? 3) Isto faz o que promete? 4) Este é o melhor preço?
Uma atitude muito comum da atualidade é a supervalorização das grifes. Estão vendendo marcas e não produtos. E os consumidores compram produtos não pela qualidade, ou preço, ou necessidade, mas pela etiqueta. Ídolos da juventude e artistas divulgam estas marcas que passam a imagem do sucesso, da moda, do poder. Para muitos, a grife confere status diante dos outros.
Acontece que na verdade enquanto os grandes astros ganham uma fábula com a sua imagem junto a um produto, o consumidor para fazer a propaganda, exibindo-a diante dos outros. Então, cuidemos! Não sejamos usados pelos fabricantes. Nem usemos algo somente por causa da marca ou para divulgar um nome de alguém qualquer (mesmo que seja importante). A mídia diz: “Ter é poder”! Mas, para o evangelho o mais importante não é ter, mas ser.
Infelizmente, cristãos em muitos lugares envergonham o nome de Cristo e da Igreja porque “dão passos maiores do que as pernas”. O testemunho cristão fica prejudicado quando uma pessoa cristã fica com o nome sujo na praça. Então, fujamos (ou livremo-nos) das dívidas! É lamentável perceber o descrédito da Igreja porque pessoas ditas católicas não tem mais crédito. Não são poucos os escândalos no meio cristão causados por problemas financeiros de mal pagadores. Prefiramos sempre comprar à vista. Os prazos sempre acarretam juros. E cuidemos com cheques especiais, cartões de crédito e prestações. O nome de Jesus deve ser sempre glorificado em nós!
Nós somos muito improvisados. Fazemos tudo de última hora, sem qualquer planejamento. No Brasil a gente gosta de dar um “jeitinho” em tudo.
Com freqüência, nos esquecemos que Deus é um ser ordeiro. Por exemplo: ao criar o mundo, Ele o fez por etapas, deixando-nos uma preciosa lição quanto à necessidade de nos organizamos melhor. E como há tempo para todo o propósito debaixo do sol (Ec 3,1), ao fazer qualquer compra precisamos encaixá-la em nosso orçamento. Mesmo os jovens que ainda não gastam o seu próprio dinheiro, precisam se esquematizar para colaborar com o bom planejamento de sua casa. O bom administrador financeiro só compra mediante um planejamento financeiro bem elaborado.
José do Egito sabiamente economizou durante sete anos (de vacas gordas) e depois pode desfrutar e atender a outros nos tempos de carestia ( sete anos de vacas magras). É preciso aprender a economizar, controlando os gastos e evitando comprar coisas desnecessárias. Muita gente compra certas coisas movida por inveja dos vizinhos e amigos, e não por necessidade. É importante aprender a viver com toda e qualquer situação, como viveu o apóstolo Paulo que aprender a viver feliz na abundância ou na escassez (Fl 4, 10-13).
A Sagrada Escritura diz: “Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração” (Mt 6, 1). A excessiva preocupação com as coisas materiais, aparência, aquisições, status, etc; podem revelar qual o verdadeiro lugar do Senhor em nossas vidas. Muita gente da terra, esquecendo-se que dos valores do Reino dos Céus, que é muito mais do que comida, bebida, roupas, luxo, conforto. As nossas aquisições precisam se submeter a uma escala de valores. Então, o que é mais importante em nossa vida? Quais são nossas prioridades?
Jesus ensinou que não devemos nos preocupar com comida, bebida, vestes. O segredo é: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. (Mt 6,36) Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? (Mc 8,36) Exorta os ricos deste mundo a que não sejam orgulhosos nem ponham sua esperança nas riquezas volúveis, mas em Deus, que nos dá abundantemente todas as coisas para delas fruirmos. Que pratiquem o bem, se enriqueçam de boas obras, sejam generosos, comunicativos, ajuntem um tesouro sólido e excelente para seu futuro, a fim de conquistarem a verdadeira vida.” (I Tm 6, 17-19)”
Somos cristãos a serviço do Reino de Deus ou somente indivíduos da sociedade de consumo?

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