quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fala coração!!!



“Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Col 3, 12-17)

Vivemos na era da comunicação: rádio, TV, computador, telefone, satélites, FAX, etc. Mas a nossa comunicação depende diretamente de nossa linguagem.

As palavras transmitem conceitos. Quando a gente reúne algumas palavras, estamos transmitindo uma idéia. Por exemplo; só podemos ler a Bíblia Sagrada porque existe uma linguagem falada e escrita entendida por todos.

Por outro lado, para uma pessoa não alfabetizada as letras e palavras não significam muita coisa. Mas, isto não impede a comunicação. Para os deficientes auditivos há uma linguagem de sinais, gestos, imagens, que permitem a comunicação entre as pessoas.

Dizem que no mundo existem umas três mil línguas, sem contar os dialetos. Cada povo desenvolveu a sua própria linguagem. Muitas vezes erramos porque usamos uma linguagem fora do contexto ou sem saber exatamente a sua origem e significado. Na Torre de Babel (Gn 11) Deus confundiu a língua dos homens que foram dispersos. Com isto a gente conclui que alguma linguagem é determinante para a nossa comunicação.

Considerando o calor e a importância de nossa linguagem, precisamos cuidar para que a nossa palavra também glorifique a Deus. Como fazer isso?

O Apóstolo Paulo nos diz a primeira recomendação: “Por isso, renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros.” (Ef 4,25) O diabo é o pai da mentira. O cristão não utiliza a linguagem para falar e divulgar uma informação desencontrada, mentirosa, ou que gera dúvida e não pode ser provada. Temos um compromisso com a verdade e devemos ser instrumentos da verdade e não da mentira.

Uma segunda recomendação do Apóstolo nos diz assim: “Que as vossas conversas sejam sempre amáveis, temperadas com sal, e sabei responder a cada um devidamente.”(Col 4,6) Normalmente, o prato mais saboroso é o que se encontra com um tempero “no ponto”. A comida mais agradável está na medida certa; sal de mais ou sal de menos pode comprometer uma refeição. De igual modo, a nossa fala deve ser sempre agradável. Para isto recomenda Paulo: “A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente.” (Col 3,16)

São Tiago também nos adverte: “Meus irmãos, não faleis mal uns dos outros.” (Tg 4,11) Se não posso falar bem de uma pessoa, então não posso falar mal, pois falo mal da lei e assumo a posição de juiz. Quando a gente ouve algo desagradável a respeito de um irmão, não se sente bem. Se estivermos dispostos a ajudá-lo, oremos em seu favor e falemos mal dele. Vamos nos contentar a falar bem uns dos outros. Isto dignifica Cristo e ao seu povo.

No livro do Eclesiastes encontramos a seguinte pérola: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: ... tempo para calar, e tempo para falar” (Ecl 3,7). Muitos problemas seriam evitados se a gente falasse na hora certa; ou acertaria mais ficando de “bico fechado”. Diz o ditado popular: “em boca fechada não entra mosquito”. Há muita gente que precisa de um bom conselho; e a melhor forma de ajudá-lo, na maioria das vezes, é dispo-se a ouvi-lo. Fale bem, fale pouco, mas na hora certa!

Outro ensino encontramos no livro dos Provérbios: “Uma resposta branda aplaca o furor, uma palavra dura excita a cólera”(Pv 15,1) . A nossa fala precisa ser disciplinada. Há bocas que são como metralhadoras que atiram por todos os lados. Mesmo a verdade precisa ser dita sem ferir, sem agredir, sem ofender. Em nome da falsa franqueza, muita gente se julga no direito de dizer o que bem entender, doa a quem doer. Naturalmente são pessoas desajustadas, descontroladas e indisciplinadas. Um temperamento controlado pelo Espírito Santo comunicará a verdade, mas com brandura, amor e ternura.

Por fim, São Paulo nos exorta: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem” (Ef 4,29). Palavras más são palavras torpes. E literalmente a palavra “torpe” significa “peixe podre”, sugerindo a idéia de algo que cheira mal, gera mal estar, incomoda. A exortação proíbe o uso de xingamentos, palavras de baixo calão ou obscenas. Cuidado com “piadinhas” que ferem aos ouvintes e descaracterizam a nossa conduta cristã. A nossa palavra sinaliza o estado do nosso coração. Palavras podres procedem de corações estragados. Indicam a podridão que existe na vida de muitos. As palavras que soam mal aos ouvidos dos outros não devem fazer parte do nosso vocabulário. Precisamos orar e pedir ao Senhor um coração puro e uma fala pura.

Paulo diz que em nossos lábios só devem existir palavras de edificação, que atendam a necessidade das pessoas e transmita graça aos que ouvem. Quantos que precisam de uma palavra de encorajamento, ou de consolo, ou de orientação! Estamos transmitindo graça aos nossos ouvintes? Se for para destruir ou prejudicar as pessoas é melhor ficar calado. Fale pouco, mas acertadamente, visando unicamente à edificação das pessoas.

Seja assim o nosso falar! Que Deus possa ungir os nossos lábios. “Aceitai as palavras de meus lábios e os pensamentos de meu coração, na vossa presença, Senhor, minha rocha e meu redentor.” (Sl 18,15)

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