sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Cristãos Consumistas?


“Fiquei imensamente contente, no Senhor, porque, finalmente, vi reflorescer o vosso interesse por mim. É verdade que sempre pensáveis nisso, mas vos faltava oportunidade de mostrá-lo. Não é minha penúria que me faz falar. Aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso naquele que me conforta. Contudo, fizestes bem em tomar parte na minha tribulação. Vós que sois de Filipos, bem sabeis como, no início do meu ministério evangélico, quando parti da Macedônia, nenhuma comunidade abriu comigo contas de deve-haver, senão vós somente. Já por duas vezes mandastes para Tessalônica o que me era necessário. Não é o donativo em si que eu procuro, e sim os lucros que vão aumentando a vosso crédito. Recebi tudo, e em abundância. Estou bem provido, depois que recebi de Epafrodito a vossa oferta: foi um suave perfume, um sacrifício que Deus aceita com agrado. Em recompensa, o meu Deus há de prover magnificamente a todas as vossas necessidades, segundo a sua glória, em Jesus Cristo. A Deus, nosso Pai, seja a glória, por toda a eternidade! Amém.” (Fil 4, 10-20)
Geração Coca-cola! Geração Nike! Eis alguns apelidos dados a juventude atual – uma geração que cresce nos shoppings e sofre uma forte influência deste ambiente. Diferentemente de outras partes da cidade, os shoppings são multicoloridos, limpos, perfumados, refrigerados, onde não há pedintes, mendigos, meninos de rua, poluição, etc. uma visão “shoppingcenteriana” começa a dominar a cabeça de muita gente. Esta mentalidade discrimina, distancia e separa os vários tipos de pessoas.
Super ( e hiper) Mercados, lojas, bancos, restaurantes, lanchonetes, passeios, viagens, etc; apresentam um cardápio cheio de variedades. Há uma propaganda forte preparada para promover as vendas. Até as autoridades se encontram preocupadas com o consumismo de nossa gente.
Para muitos a vida se transforma em uma roda vida: trabalho – dinheiro – gastos - trabalho- dinheiro. Muita gente compra pelo mero prazer de gastar. E aí, comprar vira uma obsessão. Às vezes, sem poder e sem querer, muita gente acaba comprando algo que não será bem aproveitado. É o problema desperdício. Os supérfluos, as novidades e liquidações impõem um consumo exagerado. E o pessoal se deixa levar pelas ofertas e promoções, sem pensar nas consequências. E o pior de tudo: muitos irão para o buraco, endividados até o fundo do poço. O consumismo é um desafio que alcança as pessoas de todas as idades.
Dizem que a propaganda é alma do negócio, sendo que na verdade, a propaganda é arma do negócio. Constantemente somos confrontados com propagandas muito bem feitas que nos induzem ao consumo. É preciso resistir à propaganda e aos promotores de venda que nos induzem à aquisição de produtos desnecessários. Quando isto acontecer quatro perguntas chaves devem ser respondidas: 1) Preciso disto? 2) O uso que vou fazer justifica a compra? 3) Isto faz o que promete? 4) Este é o melhor preço?
Uma atitude muito comum da atualidade é a supervalorização das grifes. Estão vendendo marcas e não produtos. E os consumidores compram produtos não pela qualidade, ou preço, ou necessidade, mas pela etiqueta. Ídolos da juventude e artistas divulgam estas marcas que passam a imagem do sucesso, da moda, do poder. Para muitos, a grife confere status diante dos outros.
Acontece que na verdade enquanto os grandes astros ganham uma fábula com a sua imagem junto a um produto, o consumidor para fazer a propaganda, exibindo-a diante dos outros. Então, cuidemos! Não sejamos usados pelos fabricantes. Nem usemos algo somente por causa da marca ou para divulgar um nome de alguém qualquer (mesmo que seja importante). A mídia diz: “Ter é poder”! Mas, para o evangelho o mais importante não é ter, mas ser.
Infelizmente, cristãos em muitos lugares envergonham o nome de Cristo e da Igreja porque “dão passos maiores do que as pernas”. O testemunho cristão fica prejudicado quando uma pessoa cristã fica com o nome sujo na praça. Então, fujamos (ou livremo-nos) das dívidas! É lamentável perceber o descrédito da Igreja porque pessoas ditas católicas não tem mais crédito. Não são poucos os escândalos no meio cristão causados por problemas financeiros de mal pagadores. Prefiramos sempre comprar à vista. Os prazos sempre acarretam juros. E cuidemos com cheques especiais, cartões de crédito e prestações. O nome de Jesus deve ser sempre glorificado em nós!
Nós somos muito improvisados. Fazemos tudo de última hora, sem qualquer planejamento. No Brasil a gente gosta de dar um “jeitinho” em tudo.
Com freqüência, nos esquecemos que Deus é um ser ordeiro. Por exemplo: ao criar o mundo, Ele o fez por etapas, deixando-nos uma preciosa lição quanto à necessidade de nos organizamos melhor. E como há tempo para todo o propósito debaixo do sol (Ec 3,1), ao fazer qualquer compra precisamos encaixá-la em nosso orçamento. Mesmo os jovens que ainda não gastam o seu próprio dinheiro, precisam se esquematizar para colaborar com o bom planejamento de sua casa. O bom administrador financeiro só compra mediante um planejamento financeiro bem elaborado.
José do Egito sabiamente economizou durante sete anos (de vacas gordas) e depois pode desfrutar e atender a outros nos tempos de carestia ( sete anos de vacas magras). É preciso aprender a economizar, controlando os gastos e evitando comprar coisas desnecessárias. Muita gente compra certas coisas movida por inveja dos vizinhos e amigos, e não por necessidade. É importante aprender a viver com toda e qualquer situação, como viveu o apóstolo Paulo que aprender a viver feliz na abundância ou na escassez (Fl 4, 10-13).
A Sagrada Escritura diz: “Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração” (Mt 6, 1). A excessiva preocupação com as coisas materiais, aparência, aquisições, status, etc; podem revelar qual o verdadeiro lugar do Senhor em nossas vidas. Muita gente da terra, esquecendo-se que dos valores do Reino dos Céus, que é muito mais do que comida, bebida, roupas, luxo, conforto. As nossas aquisições precisam se submeter a uma escala de valores. Então, o que é mais importante em nossa vida? Quais são nossas prioridades?
Jesus ensinou que não devemos nos preocupar com comida, bebida, vestes. O segredo é: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. (Mt 6,36) Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? (Mc 8,36) Exorta os ricos deste mundo a que não sejam orgulhosos nem ponham sua esperança nas riquezas volúveis, mas em Deus, que nos dá abundantemente todas as coisas para delas fruirmos. Que pratiquem o bem, se enriqueçam de boas obras, sejam generosos, comunicativos, ajuntem um tesouro sólido e excelente para seu futuro, a fim de conquistarem a verdadeira vida.” (I Tm 6, 17-19)”
Somos cristãos a serviço do Reino de Deus ou somente indivíduos da sociedade de consumo?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Oba!!! É Festa!!!


“ No mês das espigas, cuida de celebrar a Páscoa em honra do Senhor, teu Deus, porque foi nesse mês que ele te fez sair do Egito, durante a noite. Imolarás ao Senhor, teu Deus, em sacrifício pascal, gado grande e miúdo, no lugar que ele tiver escolhido para aí residir o seu nome. Não comerás pão fermentado com essas vítimas; durante sete dias comerás pão sem fermento, um pão de aflição, porque saíste às pressas do Egito, para te lembrares assim durante toda a tua vida do dia de tua partida. Durante sete dias não se verá fermento em toda a extensão do teu território; e, da carne que tiveres imolado à tarde do primeiro dia, nada se guardará até pela manhã. Não poderás imolar a Páscoa em qualquer das moradas que o Senhor, teu Deus, te há de dar; mas somente no lugar que o Senhor, teu Deus, tiver escolhido para aí habitar o seu nome, é que imolarás ,a Páscoa, à tarde, depois do pôr-do-sol, à hora em que saíste do Egito. Cozerás e comerás a vítima no lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus. Ao amanhecer, voltarás para a tua tenda. Durante seis dias comerás pães ázimos e, no sétimo dia, dia em que não farás trabalho algum, haverá uma assembléia solene em honra do Senhor, teu Deus. Contarás sete semanas, a partir do momento em que meteres a foice em tua seara. Celebrarás então a festa das Semanas em honra do Senhor, teu Deus, apresentando a oferta espontânea de tua mão, a qual medirás segundo as bênçãos com que o Senhor, teu Deus, te cumulou. Alegrar-te-ás em presença do Senhor, teu Deus, com teu filho, tua filha, teu servo e tua serva, o levita que vive em teus muros, assim como o estrangeiro, o órfão e a viúva que vivem no meio de ti, no lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para aí habitar o seu nome. Lembra-te de que foste escravo no Egito, e cuida de observar estas leis. Celebrarás a festa dos Tabernáculos durante sete dias, quando tiveres recolhido o produto de tua eira e de teu lagar. Alegrar-te-ás nessa festa, com teu filho, tua filha, teu servo e tua serva, assim como o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estiverem em teus muros. Durante sete dias festejarás o Senhor, teu Deus, no lugar escolhido por ele, porque ele te abençoará em todos os teus frutos e em todo o trabalho das tuas mãos, e estarás assim na alegria. Três vezes por ano, todos os vossos varões se apresentarão diante do Senhor teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido: na festa dos Ázimos, na festa das Semanas e na festa dos tabernáculos: não aparecerão diante do Senhor com as mãos vazias. Cada um dará segundo o que tiver, em proporção das bênçãos que o Senhor, teu Deus, lhe tiver dado.” (Deut 16, 1-17)
A vida é feita de deveres e responsabilidades, mas também de direitos e privilégios. Todo mundo sente a necessidade de parar de vez em quando para se alegrar. Felizmente, temos sempre algum motivo para festejar. São os aniversários, formaturas, comemorações, vitórias, celebrações, etc. E há momentos em que ninguém resiste. E o melhor é reunir os familiares, amigos, irmãos e comemorar.
O povo de Deus é o povo mais feliz da terra. O Deus que salva também concede uma alegria duradoura e real. Ninguém dispõe de melhores motivos para festejar do que o povo de Deus. As festas estão na moda. Mas, há festas e festas! E aí, torna-se necessário considerar este envolvente tema. Constantemente, somos indagados sobre a participação em festas e principalmente os jovens que possuem bastante energia para queimar.
Considerando as festas de Israel, o povo escolhido por Deus, que era bastante festeiro, nós percebemos que durante todo o ano, várias comemorações os envolviam. Por exemplo: as três principais festas – Páscoa, Pentecoste e Tabernáculos – foram ordenadas pelo próprio Deus e deveriam ser observadas com regularidade. Nas celebrações o povo comemorava, mas também recordava a sua história. Eles festejavam ( e lembravam) dos feitos do Senhor em seu favor. Eram festas muito envolventes. Todo mundo deveria participar dos festejos que duravam vários dias. Uma alegria contagiante tomava conta do povo que celebrava diante do Senhor. Eram muito fortes os motivos das celebrações religiosas. O povo interrompia as suas atividade e um clima de alegria e entusiasmo tomava conta de todo mundo. O aspecto mais importante das festas de Israel diz respeito à dimensão religiosa: o povo festejava diante do Senhor.
Atualmente, as festas pecam principalmente porque ignoram o Senhor. Daí, os desvios passam a ocupar o lugar principal dos festejos. O resto é só consequência. Precisamos resgatar este aspecto em nossas celebrações.
Muita gente faz ou participa de uma festa buscando cura para os seus problemas. Dizem por aí: “ vou afogar a minha tristeza”. Na verdade, mais dias, menos dias, todos nós precisamos dar um tempo em nossos afazeres e distrair um pouco. Porém, deve-se entender que as festas são para celebrar e comemorar nossas alegrias. A parte mais importante da festa é a sua motivação. Neste aspecto pode-se dizer que o cristão é quem dispõe de melhores condições para festejar. Ele sabe que a alegria só é concedida pelo Senhor, como parte do fruto espiritual (Gl 5,22).
Todos nós enfrentamos problemas. Mas, não se festeja simplesmente para fugir ou esquecer os problemas. Festeja-se porque há alegria e motivação de sobra para se comemorar. E aí, fica “gostoso” reunir o pessoal e festejar. Ao final das parábolas dos perdidos ( a ovelha, a dracma e o filho – Lucas 15) Jesus menciona a celebração de uma alegria envolvente. Na última, o pai celebra o retorno do filho pródigo com uma grande festa, onde a música, as danças, comida, integravam a comemoração. “Sim, o Senhor fez por nós grandes coisas; ficamos exultantes de alegria!”(Sl 125,3) A expressão de vitória pode ser traduzida na expressão apocalíptica: “Por isso alegrai-vos, ó céus, e todos que aí habitais.”(Ap 12,12)
As pessoas sempre perguntam: “Eu posso fazer isso?” O ensino de São Paulo nos orienta: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma”(I Cor 6,12). Muitas coisas não são proibidas e, portanto, não é pecado. Porém, a disciplina cristã fala mais alto. Algumas atitudes são evitadas devido à convivência, ao bom senso e ao testemunho cristão.
Só Jesus pode dirigir nossa vida. Por amor a Ele, abrimos mão de muitas coisas. Daí, as nossas festas são caracterizadas pela orientação de Jesus. Em Caná da Galiléia, Jesus participou de uma Festa de Casamento, onde realizou o milagre da água e do vinho (Jo 2). O cristão não é um extraterrestre. Ele não pode viver alienado do mundo como se vivesse em um convento.
Nós temos o direito de celebrar a nossa alegria. Promovemos festas. Participemos de festas. Porém, somos seres inteligentes e não vamos estragar uma festa com exageros e excessos que descaracterizam a nossa mensagem. Moderação, bom senso, equilíbrio, fazem parte de nosso testemunho cristão. Tudo o que fizermos deve glorificar o nome de Jesus. Vamos festejar sim! Celebrar a nossa festa em nome e para a glória do Senhor!
Acima de tudo que não esqueçamos a festa principal da Celebração Eucarística, pois ali é próprio Jesus que nos chama a festejar com Ele, os Santos, os Anjos e Maria Santíssima o Amor que Deus tem por nós.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Música vem de Deus!!!



“Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito. Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo!” (Ef 5, 18-20)
Será que paramos para pensar como seria a vida sem música?
Imaginemos como seriam os filmes, novelas, comerciais sem os diversos sons. A música faz parte do nosso dia-a-dia. Ela enriquece a vida com os seus mais diferentes estilos. Utilizada na TV, rádio, cinema, teatro, academia, Igrejas, escolas, etc; ela forma um dos maiores mercados do mundo. E parece que todo mundo gosta de curtir um bom som, não é mesmo? A música influência as nossas ações e reações. Ela mexe com as nossas emoções e provoca várias reações: alegria ou tristeza, suspense ou susto, medo ou pavor. Felizmente, descobrimos a beleza da música e aprendemos a cantar a vida em versos e prosas.
Os cristãos cantam a sua fé entendendo que a música é um poder na vida cristã, uma forma de adoração e que ela favorece o crescimento espiritual.
Muita gente tomou uma decisão espiritual atraído por uma canção que lhe falou ao coração. Nas horas de tentação ou dor, nos importantes momentos da vida, a música sempre deixa marcas profundas (Sl 18,3; 40, 1-3; At 16,25-26)
Louvar não é apenas cantar; mas, a música é um preciso instrumento de adoração. A música (cantada ou instrumental) glorifica ao Senhor, revelando o íntimo do nosso ser. Orações, textos bíblicos, expressões de gratidão são musicalizados em exaltação ao Senhor. Os livros de Salmos e o Apocalipse registra inúmeros cânticos de louvor a glória do Senhor.
Através da música, muitas mensagens são comunicadas. Por exemplo: textos bíblicos são memorizados, facilitando o nosso crescimento espiritual. A música cristã alegra a vida, prepara os cultos e sermões e traz encorajamento e conforto, além de ser um dos melhores recursos na evangelização.
Atualmente, todo mundo valoriza a boa música. A igreja se encontra mais aberta ás diversas expressões musicais ritmos, instrumentos, conjuntos e canções. Mas vala a pena selecionar o que se ouve e o que se canta. Lamentavelmente, a necessidade de atender ao consumo e ao comércio da música católica, produz mais quantidade do que qualidade.
Nem tudo o que se canta faz sentido. O repertório católico carece de constante revisão. Ele pode ser rico, criativo, variado, adaptando-se a cada situação. Porém, vezes sem conta, cantam-se algumas músicas simplesmente por causa do “ritmo gostoso” que elas tem (mesmo que contenham heresias) as letras e sua procedência exigem análise e precisam passar pelo crivo da Bíblia e do Magistério da Igreja.
A música cristã católica pode ser alegre, jubilante, ritimada, mas jamais apalhaçada ou sensualizada. A música alegre é marca registrada do cristão; mas a lascívia ofende a Deus. Há muito exibicionistas que “louvam” apenas para “aparecer”, chamando muito a atenção sobre si e encobrindo a mensagem que é a parte mais importante da música.
Na Igreja, também deve haver respeito pelos diversos gostos musicais. A Bíblia não fala a respeito de estilos ou ritmos sagrados e o catecismo nos traz apenas a música litúrgica. É uma questão que envolve a cultura década povo e merece respeito de todos. Alguns gostam de clássicos, valsa, boleros; outros admiram o samba, o baião, a bossa nova.
Na Bíblia e no Catecismo da Igreja Católica (nº1157), os instrumentos musicais são parte integrante da adoração e da liturgia. Isto envolve arte, beleza, riqueza, criatividade, preparação.
Os desvios na utilização dos instrumentos sempre geram problemas: instrumentos mal executados por pessoas não preparadas, modismos ditando formas e métodos, excesso de barulho e som são confundidos com música, preconceito quanto ao uso de alguns instrumentos, etc. é preciso haver estudo sério da Palavra e do que diz a Igreja, além de investimento nos músicos para que tudo seja bem feito para a glória de Deus.
No dia a dia ouvimos inúmeros sons. E como cristãos também podemos desfrutar das coisas boas da vida. No campo musical, há boas produções de profissionais competentes que são verdadeiras obras de arte que apresentam cultura, arte e instrução. Músicas clássicas, populares, folclóricas, sertanejas, etc; enriquecem a nossa vida, fazem bem a todos nós e em nada prejudicam a nossa fé. A música tem sido utilizada com sucesso mesmo com terapia (musicoterapia).
É lógico que deve haver critério na escolha do que ouvir. Há músicas que agridem a moral cristã e aos bons costumes. Não se pode enxergar o diabo em tudo, como fazem alguns fanáticos que terminam “misturando a estação”. De igual modo, não se pode “engolir” tudo como se fosse bom, pois muitos “músicos” pecam pela má qualidade e péssimo gosto e não devem merecer crédito.
Portanto, é possível glorificar a Deus, através de boa música. A música é vem de Deus! Ela pode ser um precioso instrumento para a expressão da glória de Deus. Na verdade, “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade.”(Tg 1,17)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fala coração!!!



“Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Col 3, 12-17)

Vivemos na era da comunicação: rádio, TV, computador, telefone, satélites, FAX, etc. Mas a nossa comunicação depende diretamente de nossa linguagem.

As palavras transmitem conceitos. Quando a gente reúne algumas palavras, estamos transmitindo uma idéia. Por exemplo; só podemos ler a Bíblia Sagrada porque existe uma linguagem falada e escrita entendida por todos.

Por outro lado, para uma pessoa não alfabetizada as letras e palavras não significam muita coisa. Mas, isto não impede a comunicação. Para os deficientes auditivos há uma linguagem de sinais, gestos, imagens, que permitem a comunicação entre as pessoas.

Dizem que no mundo existem umas três mil línguas, sem contar os dialetos. Cada povo desenvolveu a sua própria linguagem. Muitas vezes erramos porque usamos uma linguagem fora do contexto ou sem saber exatamente a sua origem e significado. Na Torre de Babel (Gn 11) Deus confundiu a língua dos homens que foram dispersos. Com isto a gente conclui que alguma linguagem é determinante para a nossa comunicação.

Considerando o calor e a importância de nossa linguagem, precisamos cuidar para que a nossa palavra também glorifique a Deus. Como fazer isso?

O Apóstolo Paulo nos diz a primeira recomendação: “Por isso, renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros.” (Ef 4,25) O diabo é o pai da mentira. O cristão não utiliza a linguagem para falar e divulgar uma informação desencontrada, mentirosa, ou que gera dúvida e não pode ser provada. Temos um compromisso com a verdade e devemos ser instrumentos da verdade e não da mentira.

Uma segunda recomendação do Apóstolo nos diz assim: “Que as vossas conversas sejam sempre amáveis, temperadas com sal, e sabei responder a cada um devidamente.”(Col 4,6) Normalmente, o prato mais saboroso é o que se encontra com um tempero “no ponto”. A comida mais agradável está na medida certa; sal de mais ou sal de menos pode comprometer uma refeição. De igual modo, a nossa fala deve ser sempre agradável. Para isto recomenda Paulo: “A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente.” (Col 3,16)

São Tiago também nos adverte: “Meus irmãos, não faleis mal uns dos outros.” (Tg 4,11) Se não posso falar bem de uma pessoa, então não posso falar mal, pois falo mal da lei e assumo a posição de juiz. Quando a gente ouve algo desagradável a respeito de um irmão, não se sente bem. Se estivermos dispostos a ajudá-lo, oremos em seu favor e falemos mal dele. Vamos nos contentar a falar bem uns dos outros. Isto dignifica Cristo e ao seu povo.

No livro do Eclesiastes encontramos a seguinte pérola: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: ... tempo para calar, e tempo para falar” (Ecl 3,7). Muitos problemas seriam evitados se a gente falasse na hora certa; ou acertaria mais ficando de “bico fechado”. Diz o ditado popular: “em boca fechada não entra mosquito”. Há muita gente que precisa de um bom conselho; e a melhor forma de ajudá-lo, na maioria das vezes, é dispo-se a ouvi-lo. Fale bem, fale pouco, mas na hora certa!

Outro ensino encontramos no livro dos Provérbios: “Uma resposta branda aplaca o furor, uma palavra dura excita a cólera”(Pv 15,1) . A nossa fala precisa ser disciplinada. Há bocas que são como metralhadoras que atiram por todos os lados. Mesmo a verdade precisa ser dita sem ferir, sem agredir, sem ofender. Em nome da falsa franqueza, muita gente se julga no direito de dizer o que bem entender, doa a quem doer. Naturalmente são pessoas desajustadas, descontroladas e indisciplinadas. Um temperamento controlado pelo Espírito Santo comunicará a verdade, mas com brandura, amor e ternura.

Por fim, São Paulo nos exorta: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem” (Ef 4,29). Palavras más são palavras torpes. E literalmente a palavra “torpe” significa “peixe podre”, sugerindo a idéia de algo que cheira mal, gera mal estar, incomoda. A exortação proíbe o uso de xingamentos, palavras de baixo calão ou obscenas. Cuidado com “piadinhas” que ferem aos ouvintes e descaracterizam a nossa conduta cristã. A nossa palavra sinaliza o estado do nosso coração. Palavras podres procedem de corações estragados. Indicam a podridão que existe na vida de muitos. As palavras que soam mal aos ouvidos dos outros não devem fazer parte do nosso vocabulário. Precisamos orar e pedir ao Senhor um coração puro e uma fala pura.

Paulo diz que em nossos lábios só devem existir palavras de edificação, que atendam a necessidade das pessoas e transmita graça aos que ouvem. Quantos que precisam de uma palavra de encorajamento, ou de consolo, ou de orientação! Estamos transmitindo graça aos nossos ouvintes? Se for para destruir ou prejudicar as pessoas é melhor ficar calado. Fale pouco, mas acertadamente, visando unicamente à edificação das pessoas.

Seja assim o nosso falar! Que Deus possa ungir os nossos lábios. “Aceitai as palavras de meus lábios e os pensamentos de meu coração, na vossa presença, Senhor, minha rocha e meu redentor.” (Sl 18,15)