sábado, 5 de fevereiro de 2011

Estou na moda!!!

“Acolhei aquele que é fraco na fé, com bondade, sem discutir as suas opiniões. Um crê poder comer de tudo; outro, que é fraco, só come legumes. Quem come de tudo não despreze aquele que não come. Quem não come não julgue aquele que come, porque Deus o acolhe do mesmo modo. Quem és tu, para julgares o servo de outros? Que esteja firme, ou caia, isto é lá com o seu senhor. Mas ele estará firme, porque poderoso é Deus para o sustentar. Um faz distinção entre dia e dia; outro, porém, considera iguais todos os dias. Cada um proceda segundo sua convicção. Quem distingue o dia, age assim pelo Senhor. Quem come de tudo, o faz pelo Senhor, porque dá graças a Deus. E quem não come, abstém-se pelo Senhor, e igualmente dá graças a Deus. Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Para isso é que morreu Cristo e retomou a vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos. Por que julgas, então, o teu irmão? Ou por que desprezas o teu irmão? Todos temos que comparecer perante o tribunal de Deus. Porque está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará glória a Deus (Is 45,23). Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.” (Rm 14, 1-12)
Mesmo sem perceber, todo mundo gosta de andar na moda. Com maior ou menor interesse, todos nós adotamos uma moda que passa a compor o nosso visual e se torna a nossa marca registrada. Tirando uma média, vamos perceber que as pessoas tem algo em comum. Prova disso é que a moda de outros povos é vista como estranha para nós. Por exemplo: a moda adotada por um indiano ou um africano (legítimos) é completamente diferente da nossa. A moda respeita as características próprias de cada cultura. E como não somos seres extraterrestres, mas seres humanos normais inseridos em um contexto histórico, participamos da cultura e estamos atentos a moda do nosso povo.
Por outro lado, estamos no mundo mas, não somos do mundo, como ensinou Jesus (Jo 17, 15-16). Vivemos como pessoas normais, ajustadas e integradas à vida. Mas, não podemos nos deixar levar por tudo o que está ao nosso lado. Surgem muitas novidades por aí. Algumas são bonitas, úteis e interessantes. Outras podem prejudicar a nossa caminhada cristã.
Como enfrentar esses desafios que sobem às passarelas e acabam subindo à cabeça das pessoas? Sem preconceito e sem moralismo tratamos este tema de frente visando ajudar a nossa juventude a compreender os propósitos do Senhor. Então, o que dizer?
Muita gente dita modelos e figurinos a partir da Bíblia. Eis uma atitude perigosa, pois a Bíblia não foi escrita com esta finalidade. A cultura judaico-cristã difere bastante da cultura brasileira. Os tempos também não são mais os mesmos. Isto não significa que a Bíblia seja omissão. A Bíblia contém os princípios do Senhor que orientam todas as áreas de nossa vida.
Não nos compete ditar moda. Isto é responsabilidade dos profissionais da área. O que podemos dizer é que o melhor modelo para o cristão é aquele que glorifica a Deus. Orientado pelo Espírito Santo, o cristão discernirá entre o que agrada a Deus e o que não agrada. O Senhor precisa aprovar a moda que usamos. E bom senso dirigirá a nossa opção para que glorifiquemos a Deus em nossos hábitos, usos e costumes. O nosso corpo é o templo do Espírito Santo. Recomenda São Paulo: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Cristo no vosso corpo”(1Cor 6,19-20).
Um bom princípio simples de organização é: um lugar para cada coisa; cada coisa no sue lugar. Uma moda deve se adequar ao lugar, ao horário ou a ocasião. Ninguém vai à praia de terno e gravata. Por outro lado, ninguém vai de maiô à Igreja. Há uma infinidade de opções por aí. Cada roupa cumpre uma finalidade. Por exemplo: há roupas próprias à intimidade; outras são indicadas para o campo, a praia ou lazer; e há trajes que melhor se ajustam às festas e celebrações.
O lugar a ser frequentado vai ajudar na definição da moda. Constantemente as pessoas perguntam quanto ao melhor vestuário para participar da missa. Deus vê o interior e não aparência. Mas, Ele espera o melhor do que somos e temos. Evitemos comparecer a missa com desleixo; mas, não nos mostremos como uma “onça pintada” ou uma “árvore de natal ambulante.” Com devida moderação, saibamos que vale a pena “caprichar”, separando-se e preparando-se bem para melhor servir ao Senhor. Ele merece! Duas coisas devem ser levadas em conta nas vestes: a utilidade e a modéstia. Todos os excessos ou exageros se originam de uma mente corrompida. O Catecismo da Igreja Católica nos diz que as vestes pelo pudor do Espírito Santo (nº2522), ou seja, o fruto da moderação também é visto no nosso vestir.
A pessoa cristã procura agradar ao Senhor com a moda adotada. Também procura conciliar o melhor local e ocasião para aplicar determinada moda. Mas, este universo é imenso. E, às vezes, persiste a dúvida: qual é a melhor escolha? Outros fatores precisam ser considerados, por exemplo: esta moda combina comigo (e com a minha fé)? Esta compra será bem aproveitada? - há aquisições que são descartáveis: usa-se pouquíssimas veze e joga-se fora - Esta moda é temporária ou vai pegar? Esta é a melhor época para se comprar? Este é o melhor preço?
Também haverá de se considerar o testemunho cristão. Uma moda que pode prejudicar ou comprometer a pregação cristã deve ser evitada. De igual modo, não convém se valer de uma moda que traz escândalos ou tropeço aos outros. Ou finalmente, deve-se considerar se a moda é motivo de cobiça para os outros, pois “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém” (1Cor 6,12).

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