sábado, 26 de fevereiro de 2011

Fé & Religião


“Os fabricantes de ídolos nada são e suas preciosas obras nada valem; para confusão deles, suas testemunhas não sabem ver nem compreender. Aquele que quer modelar um deus, funde uma estátua que não servirá para nada. Seus fiéis ficarão decepcionados e seus operários são apenas homens. Que todos se congreguem e compareçam. Ficarão assustados e decepcionados. O ferreiro manipula o formão e trabalha no forno; talha o ídolo com golpes de martelo; modela-o com mão vigorosa; mas tem fome, sente-se esgotado, tem sede, está extenuado. O escultor em madeira estica o cordel, traça o esquema a lápis, desbasta a imagem com o cinzel, mede-a com o compasso; dá-lhe forma humana, fá-la um belo tipo de homem, para colocá-la numa casa. Vai cortar madeira, apanha um roble ou um carvalho que tinham deixado crescer entre as árvores da floresta que o Senhor havia plantado, e que a chuva havia feito crescer. Depois faz com a madeira um fogo, e leva-o para se aquecer; queima-a também para cozer o pão; enfim serve-se dela para fabricar um ídolo diante do qual se prosterna. Queima a metade de sua madeira, sobre a brasa assa a carne, come esse assado até fartar-se. Então aquece-se e diz: Como é bom sentir o calor e admirar a chama! Com a sobra faz um deus, um ídolo diante do qual se prostra para adorá-lo e orar dizendo: Salva-me, tu és meu deus. Falta bom senso e juízo a essa gente; têm os olhos tão fechados que não vêem, seus corações não podem compreender. Ninguém reflete nem tem bom senso e inteligência para se dizer: Queimei metade, cozi pão sobre a brasa, aí assei a carne que comi e iria eu fazer do resto um ídolo miserável? Prostrar-me-ia diante de um pedaço de madeira? Este homem se nutre de cinzas, seu coração desabusado o desencaminha, ele não consegue salvar-se nem dizer: Não será um logro o que tenho nas mãos?” (Is 44,9-20)
Cresce sobremaneira nestes últimos tempos o interesse pela religião. Surgem novos grupos, seitas e denominações religiosas em todo o mundo. Muita gente vem sofrendo com a “síndrome do fim”, falando que a qualquer momento o mundo pode acabar. Ídolos, artifícios, amuletos e objeto “sagrados”, incentivam as crendices e superstições de nossa gente. Eis uma característica desta década: superficialidade, alienação, insensibilidade.
“Salvadores da pátria” usam e abusam da simplicidade e carência de nosso povo já tão sofrido oferecendo receitas prontas e fórmulas mágicas que não passam de farsas e mentiras. De um lado, a exploração recai sobre gnomos, duendes, cristais, astros, cartas, anjos, etc; do outro, estão barateando o Evangelho na comercialização de favores através de: sal abençoado, óleo bento, água ungida, sabonete sagrado, “milagres” espetaculares, etc.
É importante, urgente e necessário analisar o fenômeno da religiosidade.
O homem é o único animal que faz religião. Só o ser humano possui razão e fé; só ele marca o local onde os mortos são sepultados. Por criação, o homem é um ser religioso. Eis a razão de sua busca espiritual. Há algo (im)plantado em sua estrutura desde o seu nascimento. Até mesmo o indivíduo que se diz ateu está tentando negar ou ignorar a existência de Deus. Porém, no fundo de seu coração, ele está adorando alguém ou alguma coisa, mesmo que seja a matéria, a ciência, o seu conhecimento, etc.
Sabe-se que quando o homem se vê frustrado em sua experiência religiosa autêntica, ele se volta para as pseudorreligiões e pseudomessinismos. Logo, a experiência religiosa é algo intrínseco à natureza humana, e não fruto de uma cultura. O homem continua religioso, porque sempre está voltado para a conquista de uma felicidade absoluta, única e capaz de contentar o seu espírito aberto para o infinito. Então, mesmo que não queira admitir, toda pessoa poderia dizer como o salmista:
“Como a corça anseia pelas águas vivas, assim minha alma suspira por vós, ó meu Deus. Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei contemplar a face de Deus?” (Sl 41, 2-3)
Nestes últimos tempos surgem muitas práticas heréticas por aí. A Bíblia adverte contra os falsos profetas e falsos cristos que surgirão operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos (Mt 7,15; 24, 23-24). Também São Paulo Apóstolo previne quanto aos que ensinariam preceitos humanos, filosofias vãs, doutrinas falsas – pessoas que perverteriam casas inteiras com a sua falsa e mentirosa piedade, como lobos vorazes (At 20, 18-20; Cl 2,8-9; 1 Tm 4,1-4; Tt 1,10-16).
O inimigo e os seus atuam fantasiados de “anjos de Luz”. Sinais e milagres não são evidências comprovatórias da verdadeira fé. Nenhuma geração em todos os tempos presenciou tantos sinais e prodígios como os cristãos do 1º século. Porém, foi esta mesma geração que participou da crucificação de Jesus e perseguiu (e matou) milhares de cristãos.
Vivemos no tempo dos instantâneos: caixas eletrônicos, café solúvel, busca automática, etc. Consequentemente, muita gente vê Deus como gênio ou mágico, ou apenas um “pronto socorro automático” que deva atender em situações de emergência. Os oportunistas se aproveitam e oferecem pacotes prontos e soluções mágicas para todo tipo de necessidade. Sugestões e condicionamentos psicológicos ludibrificam e enganam as pessoas menos informadas. Isto sem falar nas fraudes e mentiras que são descobertas com o tempo. Então, cuidado! As aparências enganam.
A palavra “fé” tem sido objeto de muita exploração. Muitos julgam ter fé, porque usam a “fitinha” do Senhor do Bonfim, carregam uma figa, um pé de coelho ou um crucifixo, veneram os santos, cultuam imagens, acreditam em gnomos, duendes, anjos, etc. Ou porque fazem uma “fezinha” na loteria, consultam horóscopo, ou fazem os seus mapas astrais, etc.
Cresce a religiosidade; o que não significa o crescimento da espiritualidade ou o aumento da fé. A verdadeira fé é depositada na pessoa de Jesus, o autor e consumador da fé (Hb 12,2). A fé genuína não aceita qualquer forma de representação ou idolatria. Profeticamente, Jesus perguntou: “Quando vier o Filho do Homem, achará porventura fé na terra?” (Lc 18,8). Tomé queria ver para crer. Mas, Jesus lhe disse: “Bem-aventurados os que não viram e creram”(Jo 20,29). O Evangelho impõe “crer para ver” – esta é genuína fé evangélica! (Hb 11, 1)
Fé firme, inabalável, incircunstancial, duradoura, capaz de enfrentar as mais diversas situações e armadilhas do Inimigo. É importante resgatar a fé evangélica apresentada por Jesus, sem complicações e artifícios, sem crendices, simpatias, superstições. Vamos cultivar e pregar a verdadeira fé!

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