“Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele. Mas, cheio do Espírito Santo, Estevão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus: Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus. Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele. Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo. E apedrejavam Estevão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado... A estas palavras, expirou.” (At 7,54-60)
“A gente tá com medo de sair de casa!”
Esta expressão tem sido muito usada pelas pessoas de nosso tempo. Na verdade, as pessoas se encontram traumatizadas com a onda de violência que varre o país. A população se encontra em estado de alerta ou de choque com o crescimento da violência. De alguma forma parece que os moradores é que se encontram presos (em suas casas), enquanto os bandidos tomam conta das ruas.
Sequestros, estupros, chacinas, torturas, crimes, atentados, linchamentos, guerras, já ocupam com regularidade (e até normalidade) o noticiário diário. Alguns chegam dizer que “se a gente torcer o jornal sai sangue”. Agressões de toda a sorte ameaçam a segurança das pessoas e geram pânico na população que já não sabe mais o que fazer.
O pior de tudo é que o problema não é apenas das grandes metrópoles como o Rio ou São Paulo. Mesmo cidades do interior têm sido atingidas por este difícil problema.
Em sua origem, a violência é conseqüência do pecado. Bastar observar que o primeiro assassinato, muito violento por sinal ocorreu na família onde o pecado entrou pela primeira vez. O pai da violência vem somente para matar, roubar e destruir (Jo 10.10). quando se dá lugar ao Inimigo, abra-se oportunidade à violência.
Atos de violência são registrados ao longo da história. Mesmo na Bíblia muitas páginas estão cheias de sangue. Alguns relatos bíblicos chegam a nos surpreender pela forma como a violência foi praticada contra as crianças, mulheres, pessoas inocentes. Várias conquistas e guerras do povo de Deus foram lutas sangrentas marcadas por horrível brutalidade. O próprio Jesus sofreu atos de grande violência em sua paixão e morte. Cristãos foram executados de forma violenta. O texto principal relata a morte de Estevão, que foi apedrejado até a morte, sendo reconhecido como o primeiro mártir do cristianismo. Muitos outros cristãos foram vítimas da violência de seu tempo. Devido a sua fidelidade, muitos foram executados de forma violenta, pagando o alto preço de seu próprio sangue. Na Epístola aos Hebreus o autor descreve a violência com que os fiéis sofreram em outros tempos: “Devolveram vivos às suas mães os filhos mortos. Alguns foram torturados, por recusarem ser libertados, movidos pela esperança de uma ressurreição mais gloriosa. Outros sofreram escárnio e açoites, cadeias e prisões. Foram apedrejados, massacrados, serrados ao meio, mortos a fio de espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelha e de cabra, necessitados de tudo, perseguidos e maltratados, homens de que o mundo não era digno! Refugiaram-se nas solidões das montanhas, nas cavernas e em antros subterrâneos. E, no entanto, todos estes mártires da fé não conheceram a realização das promessas! Porque Deus, que tinha para nós uma sorte melhor, não quis que eles chegassem sem nós à perfeição (da felicidade).”(Hb 11, 35-38)
Este problema que nos incomoda nos tempos atuais na verdade provém de outras épocas. É terrível consequência do pecado presente em toda a raça humana.
Sendo fruto do pecado, a violência gera violência. Um abismo chama outro abismo. Daí, assistimos manifestações violentas constantemente e em todos os lugares.
A violência se manifesta no dia a dia. Às vezes, até inconscientemente, agimos com violência. Isto acontece em nossas, no transito, no trabalho, na escola, e até mesmo na Igreja. Se não fosse a graça de Deus sobre nós, agiríamos também com grande violência nas outras situações da vida.
Já afirmamos que a onda de violência não é um problema apenas dos grandes centros. Ele alcança o campo, as cidades do interior, as pessoas de todo lugar, sem distinção. E em todo lugar verifica-se a mesma coisa: violência gera violência.
Prova disto é que a própria polícia, um pessoal especializado em combater a violência, contratada pelo nosso dinheiro, não consegue combater a violência. Pelo contrário, constantemente ela também age violentamente. Violência gera violência.
Não há como fugir da violência. Infelizmente, somos obrigados a conviver com esta situação. Isto não significa. Isto não significa acomodação ao sistema. Pelo contrário, convivemos no mundo violento, procurando (re)agir positivamente e lutando com armas próprias, como por exemplo:
a) O Evangelho:
A igreja deve apresentar a mensagem de Jesus de forma ousada. Não há tratamento melhor para os violentos do que conhecer o evangelho salvador e libertador de Jesus. Pessoas que antes agiam para “roubar, matar e destruir”, tornaram-se mansas quando se encontram com o Príncipe da Paz;
b) O Temperamento:
Precisamos reverter o conceito de que violência gera violência. Temperança e moderação são ótimos recursos para lidar com os violentos. Em meio às ações de violência, esforcemo-nos para agir com mansidão, calma, tranquilidade. Isto pode funcionar como um “balde de água fria” para coibir a violência.
c) A Prudência:
A fé não é cega, nem irracional. Não se pode abusar de certos locais e ambientes em que a violência se manifesta com frequência. Sejamos prudentes! Após determinados horários da noite o melhor é evitar passar ou estar em locais propensos aos atentados de violência.
d) A oração:
Devemos iniciar cada dia na presença do Senhor e rogar a sua proteção sobre nós. A oração não é um “passe mágico”. Confiamos no Senhor que oferece a sua companhia constantemente e pela fé, podemos estar melhores preparados para as lutas de cada dia. Oremos ao Senhor para que haja paz na terra através do Príncipe da Paz.
Acolhamos as palavras do Catecismo da Igreja Católica: “Aqueles que renunciam à ação violenta e para proteger os direitos do homem, recorrem a meios de defesa ao alcance dos mais fracos testemunham a caridade evangélica, contanto que isso seja feito sem lesar os direitos e as obrigações dos outros homens e das sociedades. Atestam legitimamente a gravidade dos riscos físicos e morais do recurso à violência, com seu cortejo de mortes e ruínas” (CIC 2306)

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