“Com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus” (Rm 3, 23)
Não podemos sentir o Amor de Deus e a vida abundante que Jesus nos promete porque, pelo pecado, separamo-nos de Deus, única fonte de vida.
Colocado por Deus no estado de amizade com Ele, o homem, enganado e seduzido pelo mal, abusou de sua liberdade voltando-se contra Deus e querendo chegar à sua finalidade por si só e desejando alcançar sua própria realização independente de Deus.
Sente-se autônomo, afasta-se de toda dependência com relação a Deus. Com isso, o homem olha a si mesmo com sua própria finalidade, como único artífice e criador de sua própria história.
Ao recusar reconhecer a Deus como seu princípio, o homem perde a união com sua finalidade última e rompe toda harmonia consigo mesmo, com os demais homens e com toda criação.
E as consequências disso são?
- A pessoa prejudicada e ferida profundamente em seu corpo e mente: doenças, angústias, desequilíbrios, inseguranças, medos, etc;
- As relações interpessoais inexistentes ou falsas, prejudicando nossa capacidade de amar e ser amado: lares destruídos, relações enganosas, solidão, desconfiança, etc;
- A sociedade corrompida: individualismo, corrupção, exploração, guerras, fome, escravidão, desigualdades econômicas e sociais, marginalização, má distribuição de redás, etc; e
- O cosmo convertido em caos.
Deus não é culpado por este mal, nem quer, nem o manda.
Mas, o que é pecado?
Segundo o Catecismo da Igreja Católica (1849-51):
“O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna".
O pecado é ofensa a Deus: "Pequei contra ti, contra ti somente; pratiquei o que é mau aos teus olhos" (Sl 51,6). O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus, por vontade de tornar-se "como deuses", conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3,5). O pecado é, portanto, "amor de si mesmo até o desprezo de Deus". Por essa exaltação orgulhosa de si, o pecado é diametralmente contrário à obediência de Jesus, que realiza a salvação.
É justamente na paixão, em que a misericórdia de Cristo vai vencê-lo, que o pecado manifesta o grau mais alto de sua violência e de sua multiplicidade: incredulidade, ódio assassino, rejeição e zombarias da parte dos chefes e do povo, covardia de Pilatos e crueldade dos soldados, traição de Judas, tão dura para Jesus, negação de Pedro e abandono da parte dos discípulos. Mas, na própria hora das trevas e do príncipe deste mundo, o sacrifício de Cristo se toma secretamente a fonte de onde brotará inesgotavelmente o perdão de nossos pecados.”
Ou seja, o pecado é abandonar o casa do Pai, O Jardim das Delícias do Senhor para tentar sua própria casa e seu próprio Jardim como se tudo dependesse somente de nós mesmos. E por causa disso, acabamos por comer as lavagens dos porcos e morrer nos desertos da vida.
Alguns profetas como Jeremias e Isaías, lá no Antigo Testamento, já proclamavam esta verdade dizendo:
“Porque meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas fendidas que não retêm a água.” (Jr 2,13)
“Não, não é a mão do Senhor que é incapaz de salvar, nem seu ouvido demasiado surdo para ouvir, são vossos pecados que colocaram uma barreira entre vós e vosso Deus. Vossas faltas são o motivo pelo qual a Face se oculta para não vos ouvir, porque vossas mãos estão manchadas de sangue e vossos dedos de crimes; vossos lábios proferem mentira, vossa língua entretém pérfidas conversas.” (Is 59, 1-3)
O pecado nos é apresentado com a aparência de algo muito bom, porém não é o melhor para nós. Só Deus sabe e tem o melhor para cada um de nós. Só Deus tem a solução para os problemas do homem. Ele já deu e no-la ofereceu a cada um. Em tal oferta encontraremos a Salvação.
Que todos os pecados: grandes, pequenos e médios possam ser reconhecidos por cada um de nós, nos motivando ao arrependimento e ao encontro com a Salvação. Amém!
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