quinta-feira, 21 de maio de 2009

Maria: Um Pequeno Panorama Bíblico

Na Sagrada Escritura há muitas citações a respeito da Virgem Maria. E quem não respeita e ama Maria, está contra a Bíblia:
  • “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.”(Lc 1, 26-27).

Um anjo do céu se apresentou diante de Maria e com muito respeito a saudou: “Ave, cheia de graça!” Será que os que não gostam de Maria são mais perfeitos que os anjos?

  • “Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!”(Lc 39-45)

Isabel, cheia do Espírito Santo, gritou, ao ver Maria: “Bendita é tu entre as mulheres”. Só os que não estão iluminados pelo Espírito Santo não declaram Maria, “Bendita entre as mulheres”. Quem tem Deus reconhece que Maria é “Bendita entre as mulheres”.

  • “E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.”(Lc, 1, 46-49)

E Maria disse: “Desde este momento, todas as gerações me chamarão Bem-aventurada”. São palavras da Bíblia, escritas na Bíblia, Palavras de Deus. Os que honram, amam e imitam Maria, cumprem a Palavra de Deus. Os que não amam, não honram e não imitam Maria, estão contra a Palavra de Deus.

  • “Abriu-se o templo de Deus no céu e apareceu, no seu templo, a arca do seu testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva. Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.” (Ap 11, 19 – 12, 1)

No Antigo Testamento temos A Arca da Aliança que continha: O vaso com o maná ( alimento de Deus para o seu povo); A Vara de Aarão (significando e representando a autoridade de Deus); e As Tábuas da Lei (os mandamentos de Deus para o seu povo). No Novo Testamento, temos a Nova Aliança em Jesus. Ele nos diz: “Eu sou o pão da vida.”(Jo 6, 48) (O Alimento Eucarístico); “Toda autoridade me foi dada”(Mt 28,18) (A Autoridade que vem de Deus); e “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6) (Os Mandamentos, A Palavra de Deus, O Verbo Divino).

Quem é a Arca da Nova Aliança onde foi depositado Jesus?

É Maria, a Igreja Verdadeira.

  • “Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.” (At 1,14)

Juntamente com os apóstolos está Maria, mãe de Jesus. Juntamente conosco hoje, está Maria, a Mãe de Jesus e Mãe da Igreja. Maria é a Arca da Nova Aliança e a coluna da Igreja.

  • “Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus.”(Ex 20,12)

No decálogo há um mandamento: Honrar Pai e Mãe. Devemos portanto honrar de uma forma muito especial não só aos nossos pais, mas a Mãe de nosso Senhor e Salvador, que Ele nos deu como Mãe, Maria.

  • “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.”(Jo 19,26-27)

O próprio Jesus nos deu sua Mãe, estendendo a Maternidade de Maria a todos aqueles que são seus discípulos; e os que realmente o amam a acolhem na sua morada, no seu coração, na sua vida como exemplo de vivência da fé cristã.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Hyperdulia


A palavra LATRIA significa: culto e adoração devida e prestada a Deus. IDOLATRIA significa: culto e adoração prestada aos ídolos (colocando-os no lugar e na posição de Deus). A palavra DULIA significa: culto prestado aos anjos e santos.

Existe uma forma de culto especial a ser prestado a Nossa Senhora que se chama: HYPERDULIA (super-veneração), inclusive existe esta citação até nos dicionários de nossa língua. Consequentemente, devemos dizer que a devoção mariana não é facultativa, ao passo que a devoção a São Francisco e São Bento o é.

A necessidade do culto de veneração a Maria se deduz do próprio cristocentrismo da piedade cristão. O Apóstolo Paulo afirma que “Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos.”(Rm 8,29). Assim, quanto mais o cristão se configura à Imagem de Cristo, ou quanto mais se idêntica dom Ele, tanto mais terá em seu íntimo, os sentimentos de Cristo. Ora, Jesus era todo filho do Pai (como Deus) e todo filho de Maria ( como homem). Donde se segue que quanto mais centrado em Cristo for o cristão, tanto mais deverá sentir-se filho de Maria. A devoção mariana, portanto, está, na lógica mesma do “ser um outro Cristo”, programa de todo cristão.

Segundo Pe. E. Schillebeechx, no livro MARIA, MÃE DA REDENÇÃO, pág. 97: “Para quem está verdadeiramente consciente do papel de Maria, é impossível passar, sem Maria, uma vida que queira ser cristã, uma vida que não contrarie o apelo de Deus, não derrogue a ordem cristã, não negligencie as delicadas atenções de Deus. Os pregadores e as testemunhas da fé devem, por isso, levar a peito a pregação do mistério mariano e valoriza-lo, porque este mistério está na medula da religião cristã.”

Pode haver expressões inadequadas da piedade mariana, mais inspiradas pelo sentimentalismo do que pela fé. A esse propósito escreveu o Concílio Vaticano II: “O Concílio exorta com todo o empenho os teólogos e os pregadores da Palavra Divina a que, na consideração da singular dignidade de Mãe de Deus, abstenham-se com diligência tanto de falso exagero quanto da demasiada estreiteza de espírito (...) Com diligência afastem tudo o que, por palavras ou por fatos, possa induzir os irmãos separados, ou quaisquer outros, em erro acerca da verdadeira doutrina da Igreja. Ademais, saibam os fiéis que a verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira, pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, excitados a um amor filial para com nossa Mãe e à imitação de suas virtudes” (LG n°67).

O Papa Paulo VI escreveu um documento orientando como devemos honrar e prestar o nosso culto a Nossa Senhora que denomina-se: Marialis Cultus.

O documento Marialis Cultus nos diz que o culto a Virgem Maria deve ser:

  • Bíblico: Na bíblia, Maria é saudada pelo anjo como agraciada por Deus e é registrado o seu acompanhamento de toda a vida de Jesus aqui na Terra, servindo-O. Ninguém jamais caminhou tanto neste caminho, conheceu tanto essa verdade, e participou tão intimamente desta vida que é Jesus, como Maria;
  • Litúrgico: Maria estava presente quando a Igreja nasceu e sendo Mãe da Cabeça, que é o Cristo, o é também dos membros, e por sua vez, era muito amada, querida e respeitada pelos apóstolos. Hoje, continua sendo amada, querida e respeitada por todos os verdadeiros cristãos;
  • Antropológico: Como pessoa humana, ela é modelo de vida natural, de vida de conversão, de discipulado, de evangelização, etc. è modelo do homem novo que mais se aproxima da imagem e da semelhança de Deus. Ela é a nova Eva. Era a mãe dos viventes. Maria é mãe dos filhos de Deus;
  • Ecumênico: No culto a Maria não pode haver fundamentalismo e exageros que aumentem a distância ou gerem conflitos com os nossos irmãos separados.

Na Santa Igreja, Maria ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós (LG n°54). Por mais que queiram, o lugar de Maria na Igreja, ninguém consegue tirar, inclusive, em algumas igrejas evangélicas já se tem suscitado amor, veneração e respeito pela Virgem Maria. Têm ocorrido casos também de conversão ao catolicismo com a presença de Nossa Senhora (Medjugore).

São João Damasceno nos diz: “Maria foi escolhida para unir o homem a Deus, dando-nos Jesus Cristo, Deus e homem, reconciliando por Jesus Cristo, Deus com os homens e os homens com Deus.”

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Assunção de Maria aos Céus

Ascensão é a subida de Jesus ao céu, pelo seu próprio poder.
Assunção é a elevação de Maria ao céu, não pelo seu próprio poder, mas pelo poder de Deus.
Desde remota época, os autores cristãos julgaram que Maria Santíssima teve um fim de vida singular; em seus sermões e em escritos apócrifos professaram a glorificação corporal de Maria, logo após a sua morte na terra.
Eis uma das versões mais expressivas: quando se aproximava o fim da vida terrestre de Maria, houve grande agitação na Igreja. Maria soube de antemão que estava para deixar o mundo. Os Apóstolos também foram previamente avisados, de modo que se reuniram em Jerusalém. Quando lá chegaram Maria tinha morrido; abriram o seu sepulcro, que encontraram vazio. Cristo viera buscar a alma de sua Mãe Santíssima, que a arte bizantina representa sob forma de uma criança enfaixada. A seguir, o corpo da Santa Mãe de Deus, gloriosamente ressuscitado, também foi assumido e lavado a se reunir á respectiva alma no céu.
Na primeira metade do século XX, os fiéis católicos, tendo à frente seus Bispos, pediram à Santa Sé a definição do dogma da Assunção de Maria. O Papa Pio XII mandou estudar o assunto e no dia 1° de Novembro de 1950, proclamou solenemente o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, em corpo e alma. Disse o Papa: “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada e imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e Vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo”. Assim, Maria participou de modo especial da Ressurreição de Jesus; e a sua Assunção ao céu significa uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos.
O Papa João Paulo II disse: “ Se a morte não tem poder sobre Jesus ou seja, sobre o Filho tampouco o poder ter sobre a Mãe, isto é, sobre aquela que lhe deu a vida terrena...” A solenidade da Assunção apresenta-nos o reinar de nosso Deus e o poder de Cristo sobre toda a criação. Sua Celebração Litúrgica se dá no dia 15 de agosto.
As bases bíblicas para a fundamentação e que fazem menção implícita da Assunção de Maria são:

  • “Levantai-vos, Senhor, para vir ao vosso repouso, vós e a arca de vossa majestade.”(Sl 130, 8)
  • “Filhas de reis formam vosso cortejo; posta-se à vossa direita a rainha, ornada de ouro de Ofir.”(Sl 44,10)
  • "Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias. Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, 8.mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos. Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus. Mas estes venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e de seu eloqüente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte. Por isso alegrai-vos, ó céus, e todos que aí habitais. Mas, ó terra e mar, cuidado! Porque o Demônio desceu para vós, cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta. O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus. E ele se estabeleceu na praia.” (Ap 12, 1-18)


Maria, por ter sido, concebida sem pecado, nunca esteve sujeita ao império do pecado. Em conseqüência, não podia ficar sob o domínio da morte, que entrou no mundo através do pecado. Sendo assim, é lógico dizer que ela não conheceu a deteriorização da sepultura, sendo glorificada não somente em sua alma, mas também em seu corpo. Como se vê, nem a tradição nem os teólogos recusam a hipótese de Maria ter morrido, ao contrário, admitem-na. Se Cristo, o Santo de Deus, quis morrer, Maria também terá morrido.
A carne da Mãe e carne do Filho são só uma carne. Ora, Maria é a Mãe de Jesus, que foi glorificado em corpo e alma após ter morrido. Consequentemente deve ter tocado a Maria a mesma sorte gloriosa que tocou a seu filho.
A tradição mais antiga afirma que Maria morreu e aponta o seu sepulcro em Jerusalém, assim como o lugar em que terá morrido. Todavia, autores recentes julgam que a Virgem Santíssima foi isenta da Morte, de modo que teria passado diretamente da vida terrestre para a glória. Esta sentença é aceitável; mas a mais provável é de crer que Maria tenha imitado seu Filho Divino também ao experimentar a morte.
A fim de evitar a propagação de falsas concepções a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu uma instrução em 17 de maio de 1979, em que declara que a Igreja, em conformidade com a Sagrada Escritura, espera a gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo, que ela considera como distinta e deferida em relação àquela condição própria do homem, imediatamente após a sua morte. A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem após a morte, exclui qualquer explicação que tire o sentido da Assunção de Nossa Senhora naquilo que ela tem de único, ou seja, o fato de ser a glorificação corporal da Virgem Santíssima uma antecipação da glorificação que está destinada a todos os outros eleitos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Maria, Mãe de Deus!



“Denominada nos Evangelhos "a Mãe de Jesus" (João 2,1;19,25), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como "a Mãe de meu Senhor" (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos).”(CIC 495)

Maria é Mãe de Deus, porque, embora não tenha gerado a natureza divina, nem a pessoa divina, enquanto tal; gerou, todavia, a natureza humana hipostaticamente unida à pessoa divina. A natureza humana de Jesus, só existe e só existiu unida hipostaticamente à pessoa divina. Uma pessoa, duas naturezas. Ora, o termo completo de uma geração é uma pessoa e não a natureza. Portanto, Maria deu à luz a uma Pessoa Divina e, por isso, é Mãe de Deus.

Santa Isabel, iluminada pelo Espírito Santo, foi a primeira a reconhecer isto: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”(Lc 1, 43)

Quando surgiu a heresia de Nestório, patriarca de Constantinopla, que negava a maternidade divina de Maria, a Igreja reuniu seus concílios de Éfeso, século V e o de Constantinopla, século VI e declarou solenemente: “Maria é a santa Theotókos”, isto é, a Santa Mãe de Deus.

Outras passagens atestam que Maria é Mãe de Deus:

  • “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco.”(Is 7, 14)
  • “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.”(Mt, 1, 23)
  • “Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.”(Lc 1, 35)
  • “Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei...” (Gal 4,4)

São Bernardo chamava Maria de “A onipotência suplicante”, isto é, pode tudo com suas súplicas ao Seu Filho. Sendo Mãe de Deus ela também é mãe dos homens e intercedeu por nós sem cessar diante de Deus.

A Tradição ensina que quando dizemos: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós..." Com Isabel também nós nos admiramos: "Donde me vem que a mãe de meu Senhor me visite?" (Lc 1,43). Porque nos dá Jesus, seu filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos lhe confiar todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós como rezou por si mesma: "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com ela à vontade de Deus: "Seja feita a vossa vontade".(CIC 2677)

A Festa Litúrgica de Maria, Mãe de Deus, é celebrada no dia 1° de Janeiro. Assim a Igreja quer que todos os anos comecem sob a proteção daquela que é a Mãe de Deus.

“Jesus é o Filho Único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: "Ela gerou seu Filho, do qual Deus fez "o primogênito entre uma multidão de irmãos" (Rm 8,29), isto é, entre os fiéis, em cujo nascimento e educação Ela coopera com amor materno.” (CIC 501)


quarta-feira, 22 de abril de 2009

E os irmãos de Jesus?


A palavra “irmão” em aramaico (língua dos judeus) designava não só dos membros genitores, mas também primos ou até parentes mais remotos (essa língua era muito pobre em vocabulário).

No Antigo Testamento há 20 citações que atestam o significado mais amplo da palavra “irmão”. Eis algumas delas:

“Abrão disse a Lot: Rogo-te que não haja discórdia entre mim e ti, nem entre nossos pastores, pois somos irmãos.” (Gn 13,8)

Abraão é tio de Lot; e Lot ,consequentemente, seu sobrinho.

“Jacó disse aos pastores: “Meus irmãos, de, onde sois?” “Somos de Harã”, responderam. “Conheceis porventura Labão, filho de Nacor?” “Sim.” “Como vai ele?” “Vai muito bem; e eis justamente sua filha Raquel que vem com o rebanho.” “É ainda pleno dia, tornou Jacó, e não é hora de se recolherem os rebanhos. Dai de beber às ovelhas e levai-as de novo ao pasto.” “Não o podemos, responderam eles, antes que todos os rebanhos estejam reunidos. Tiramos então a pedra de cima do poço e damos de beber aos animais.” Falava ainda com eles, quando chegou Raquel com o rebanho do seu pai, porque era pastora. Logo que Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, aproximou-se, rolou a pedra de cima da boca do poço e deu de beber às ovelhas de Labão. Depois beijou Raquel e pôs-se a chorar. Contou-lhe que era parente de seu pai e filho de Rebeca; e ela correu a anunciar isto ao seu pai. Tendo Labão ouvido falar de Jacó, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, abraçou-o, beijou-o e o conduziu à sua casa. Jacó contou-lhe tudo o que se tinha passado, e Labão disse-lhe: “Sim, tu és de meus ossos e de minha carne.” Jacó ficou em casa dele um mês inteiro. E Labão disse-lhe: “Acaso, porque és meu parente, servir-me-ás de. raça? Dize-me que salário queres.” (Gn 29,4-15)

Jacó era sobrinho de Labão, mas se consideravam irmãos e inclusive se consideravam irmãos aos pastores.

Uma citação forte é a seguinte:

“Davi convocou todo o Israel em Jerusalém, para fazer subir a arca do Senhor ao lugar que lhe havia preparado. Reuniu os filhos de Aarão e os levitas: dos filhos de Caat, Uriel, o chefe, e seus 120 irmãos; dos filhos de Merari, Asaia, o chefe, e seus 220 irmãos; dos filhos de Gerson, Joel, o chefe, e seus 130 irmãos; dos filhos de Elisafã, Semeías, o chefe, e seus 200 irmãos; dos filhos de Hebron, Eliel, o chefe, e seus 80 irmãos; dos filhos de Oziel, Aminadab, o chefe, e seus 112 irmãos.” (1Crôn 15,3)

Qual é mãe que vai gerar tamanha quantidade de filhos?

A Sagrada Escritura nos fala dos irmãos de Jesus e não dos filhos de Maria:

“Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito.”(Mc 6, 3)

Observamos que na citação se diz O FILHO e não um dos filhos de Maria. Também a respeito desta citação podemos nos perguntar: Os irmãos de Jesus seriam de fato irmãos carnais ou seriam primos irmãos?

Maria, irmã da Virgem Maria casou-se com Cléofas ou Alfeu (nomes em hebraico e aramaico da mesma pessoa) e tiveram quatro filhos:

1°- Thiago: é Thiago, o Apóstolo; O Menor, cujo pai é Alfeu e foi o primeiro bispo de Jerusalém;

“Dos outros apóstolos não vi mais nenhum, a não ser Tiago, irmão do Senhor.”(1Gal 1,19)

“Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé” (Mc 15,40)

“Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.”(Mt 10,3)

2°- José: é irmão carnal de Thiago, pois ambos são filhos de uma das três Marias que estiveram ao pé da Cruz;

“Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.”(Mt 27,56)

3°- Judas: o Tadeu: é também irmão Thiago,cujo pai é Alfeu.

“Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.”(Lc 6,16)

“Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago.”(At 1,13)

“Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos eleitos bem-amados em Deus Pai e reservados para Jesus Cristo.”(Jud 1,1)

4°- Simão: Foi o segundo bispo de Jerusalém e o nome de seus pais na consta na Sagrada Escritura. Um antigo historiador Hegezipo (Séc. II) informa que ele é filho de Cléofas, esposo de Maria, irmã da Mãe de Jesus – “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena (Jo 19,25). É pois, primo de Jesus.

Podemos deduzir que os quatro entre s são irmãos carnais; e, em qualquer hipótese, primos ou parentes de Jesus.

Há também outros dois momentos que nos levam a refletir sobre a questão dos irmãos de Jesus:

JESUS AOS DOZE ANOS:

“Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc 2, 41-52)

Em sua perda e seu reencontro no templo Maria e José o procuravam aflitos durante três dias e não há nenhuma alusão de com quem teriam ficado os supostos irmãos menores de Jesus. Também não há nenhuma alusão bíblica a respeito do relacionamento de Jesus com seus irmãos carnais. Por que Jesus teria escondido de seus ensinamentos e de seus discípulos (nós) seus irmãos carnais?

MARIA AO PÉ DA CRUZ:

“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa“(Jo 19, 25-27).

Se Jesus tivesse outros irmãos sanguinários, ao morrer na cruz, teria confiado sua Mãe aos mesmos, pois nessa ocasião José já havia morrido, mas, ao contrário confiou sua Mãe ao discípulo amado porque a ama muito e quer dividir aquela que Ele tanto ama com toda a Humanidade pela qual ele estava morrendo e que estava prefigurada no discípulo amado.

Nós católicos cremos que Maria só teve a Jesus por filho e crer que Maria teve mais filhos é negar um dos dogmas de nossa fé: o da sua Virgindade Perpétua.

“Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas?” (1 Cor 9,5)