Sábado, 11 de Abril de 2009

A Porta da Vida

“Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar. A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem? Não o sou, respondeu ele. Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se. O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas.” (Jo 18,15-20)
Às vezes podemos ser um personagem sem nome e aparentemente sem importância; mas sempre temos a oportunidade de transcender a história com o simples abrir de uma porta.
Quando o texto grego se refere a um “piadeske”, poderíamos traduzir como “uma jovem serva”, que cuidava da porta do Palácio do sumo-sacerdote de Jerusalém.
Graças a essa mulher tão insignificante e com um trabalho tão simples, criam-se situações que vão transcender o tempo e o espaço.
Nada sabemos dessa jovem: de que cor era seu cabelo, se estava apaixonada por um “príncipe encantado”, que marca de roupa usava, muito menos de que tipo de música gostava. Desconhecemos seus sonhos, ideais, sua história e seu caráter. Só sabemos sobre o trabalho que realizou naquela noite fria de primavera e a maneira como a realizou que a fez transcender o tempo.
Conseguiu um empregado em um lugar muito importante: o palácio de Anãs, o sumo-sacerdote de Jerusalém. Não era qualquer um que podia ostentar esse privilégio, muito menos sendo mulher.
Conhecia as pessoas mais importantes da hierarquia religiosa e, talvez, fosse testemunha “muda” de artimanhas políticas que aconteciam nas altas esferas da estrutura do templo.
Entramos para a história pelo que fazemos, seja lago positivo ou negativo. Marconi é conhecido pela invenção do telégrafo, Colombo pelo descobrimento de terras na América, Hitler pelas diversas guerras ao qual esteve presente.
Qual é o elemento positivo que está definindo nossa permanência na História? Qual o elemento negativo que pode estar desenhando nossa lembrança na história? A posteridade nos reconhecerá por uma só coisa. Por qual?
Nas vésperas da Páscoa, a porteira teve muito trabalho, pois tirou e colocou três vezes a fechadura da porta pela qual era responsável.
Naquela noite fria, quando começava a primavera, ela estava zelosamente cumprindo o seu dever, quando bateram à porta. Alguém chamava. Ela olhou pela abertura, viu um homem amarrado e rodeado pelos guardas do templo e das autoridades, levando tochas nas mãos.
Abriu a porta para que entrasse o cortejo vociferante, e realizasse, então, a farsa de um julgamento que havia sido decidido bem antes: a sentença de morte do Nazareno.
Ela abriu o caminho para que Jesus cumprisse Sua missão salvífica, deixando entrar o Bom Pastor, para que pudesse entregar Sua vida por nós e a nós.
Foi seguindo Jesus com seu olhar, até perdê-lo de vista, quando sumiu atrás do salão sacerdotal. Naquela noite seria julgado e condenado o único homem justo de toda a História.
Voltou a trancar a porta e fechou os cadeados. Guardou as chaves e continuou se aquecendo no fogueira do pátio. Mais tarde, Anás enviou Jesus ao palácio de seu sogro, Caifás. O Mestre que então havia entrado, saiu pela mesma porta. Entrou e saiu.
Quantas vezes nos acontece o mesmo? Deixamos que Jesus entre nossa vida, mas depois não fazemos nada para impedir-lo de sair. Quantas vezes Jesus entrou e saiu de nosso coração?
“Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,...” (Jo 18,16)
Depois, chegaram os discípulos e Pedro. O primeiro era amigo do sumo-sacerdote, portanto tinha entrada livre nos recintos mais privilegiados. Aquela jovem porteira abriu a porta para que o discípulo estivesse perto e acompanhasse Jesus naqueles difíceis momentos. Graças ao seu serviço, Jesus teve a presença de alguém de quem necessitava e amava, naquele momento de dor.
A servente voltou a fechar a porta com os cadeados.
“..., porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar.”(Jo 18, 16)
Abriu a porta pela terceira vez. O chefe dos apóstolos devia passar por um interrogatório de uma simples jovem que não tinha armas, nem ostentava autoridade alguma:
“A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem?” (Jo 18, 17 a)
A jovem, de acordo com suas funções, interrogou o pescador de Cafarnaum. Era seu dever, mesmo que a pergunta fosse desnecessária, pois de acordo com seus trajes e sotaque nortista, era evidente ser Pedro galileu. Além disso, seu rosto angustiado o entregava como um discípulo daquele homem que estava com sérios problemas com a justiça.
Pedro, então, respondeu brevemente, com receio de ser descoberto por seu sotaque galileu:
“Não o sou, respondeu ele.” (Jo 18, 17b)
Ela não perguntou mais nada. Acreditou na palavra tensa do galileu. Parecia que nem o sotaque, nem a maneira de se vestir levantaram suspeitas.
É interessante notar que ela se referiu a Jesus como “esse homem”. Não pronunciou nenhum nome dado pelos homens para serem salvos. Jesus passou por tão perto dela, mas ela não se deixou cativar por Ele.
Enquanto isso, Jesus foi interrogado pela autoridade suprema. O sumo-sacerdote perguntou sobre Seus discípulos e Sua doutrina. O Mestre respondeu com segurança e dignidade:
“Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas.” (Jo 18, 19-20).
O Mestre não se defendeu, mas deixou que fizessem a Sua defesa aqueles que O escutaram.
Ali fora encontrava-se um , talvez o mais autorizado para fazê-lo, mas que o estava negando e afirmando que não era um dos Seus discípulos, que não O conhecia. E para se livrar do perigo de ser preso, jurou que não tinha nada a ver com o Galileu e até O injuriou com maldições:
“Então ele começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais. E imediatamente cantou o galo pela segunda vez. Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe havia dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E, lembrando-se disso, rompeu em soluços.” (Mc 14, 71-72)
“Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: Hoje, antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. Saiu dali e chorou amargamente.” (Lc 22, 61-62)

Ao sair, Jesus, condenado, olhou para Pedro que estava se aquecendo perto da fogueira, enquanto um galo anunciou a madrugada. Os olhares se encontram e o pescador de Cafarnaum caiu em lágrimas de amargura diante de todos. Saiu pela mesma porta, em prantos. Ninguém o detinha agora, nem lhe perguntava nada. Já não era necessário.
Não sabemos se a jovem abriu a porta a Pedro para que ele saísse. A única coisa que sabemos é que ele passou por ela e talvez nunca mais tenha voltado a vê-la.
Quantas pessoas têm saído por nossas portas? O que temos feito para que as pessoas se aproximem de Jesus? Quem são essas pessoas? Ou temos feito algo para que O neguem? Quantos Pedros têm saído chorando pela porta de nossa vida?
Não basta abrir a porta da nossa vida, temos de saber para quem a estamos abrindo, com que motivações e para o que fazemos. Infelizmente, podemos abrir por motivos contrastantes e contraditórios.
A porta dessa jovem representa nossa vida: por ela entrar Jesus, mas infelizmente, por ali mesmo pode sair; por ali também entram “Joãos” para acompanhar o Mestre e pela mesma porta saem Pedros chorando.
Não importa para quem iremos abrir a porta, mas por que e para que a abrimos.
A humanidade se lembrará de nós por meio das pessoas que permitimos passar pela porta de nossas vidas. Isso repercutirá e toda a história.
Jesus está chamando hoje diante da porta do nosso coração:
“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo.” (Ap 3, 20)
É uma oportunidade única e talvez irrepetível. Para alguns pode ser a última.
Escutemos a voz que está nos chamando.

Sábado, 4 de Abril de 2009

Eu sou capaz!

Por mais que possamos ser levados ao cemitério, podemos mudar a direção de uma multidão e transformar o mundo de alguém que está perto de nós.
Meditemos a passagem do filho da viúva de Naim: “Ele (Jesus) foi em seguida a uma cidade chamada Naim. Seus discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele. Ao se aproximar da porta da cidade, coincidiu que levavam a enterrar um morto, filho único da mãe viúva; e grande multidão da cidade estava com ela. O Senhor ao vê-la, ficou comovido e lhe disse: ‘Não chores!’. Depois, aproximando-se, tocou o esquife e os que carregavam pararam. Disse ele, então: ‘Jovem, eu te ordeno, levanta-te!’. E o morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: ‘Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo” (Lc 7, 11-16).
Naquela manhã, o cortejo fúnebre saía da cidade de Naim rumo ao cemitério, levando o caixão de um botão que ainda não florescera. Aquela promissora vida ficou adormecida no sono da morte que brutalmente, impediu o futuro tanto dele com dos seus. Não sabemos seu nome, sobrenome, nem sua idade, fato este que pode representar qualquer jovem este mundo. Ele era, como alguns presentes perto de nós, a esperança dos seus.
Bem devagar, mas sem parar, ao som de cantos fúnebres, seus amigos e conhecidos revezavam-se para carregá-lo ao vale da morte, onde o tempo se detém, as cores perdem seu brilho e os sonhos se paralisam.
Próximo ao caixão, estava sua mãe, inconsolável. Porque era viúva, havia depositado toda a sua esperança naquele único filho, que havia sido surpreendido por uma morte prematura.
Também o acompanhava uma grande multidão, o que nos leva a concluir que: ou o jovem e sua família eram muito conhecidos na cidade, ou sua breve partida deste mundo havia causado um forte impacto à sociedade de Naim.
A incompreensão diante dos absurdos da vida pairava naquele desfile, enquanto as lágrimas de luto e de dor nublavam o firmamento daquela mulher estigmatizada pela morte. Tinha perdido as esperanças; nada nem ninguém podia reabilitá-la; e nem sequer sonhava com a possibilidade de um milagre.
Paulo Freire, gênio da alfabetização no Brasil, escreveu que “se queres matar alguém, apaga-lhe a chama da esperança”. Jairo intercedeu por sua filha que estava morrendo (Mc 5,21). Mas no caso de Naim, a mãe, com a esperança extinta, não era capaz de imaginar ou sonhar com um milagre. Quantas vezes nós também já perdemos a esperança em milagres?
Cada uma das personagens dessa história reflete suas realidades em cada um de nós. Não sabemos dizer se elas assumiram nosso papel no cenário, ou se nós é que estamos reproduzindo o delas.
O jovem que é levado ao sepulcro, antes, motivo de esperança para os outros, converteu-se em causa de amargas lágrimas para aqueles que o amavam. Por um lado representa aqueles que enganam os que confiavam nele; por outro, todas aquelas pessoas que são levadas à morte, seja por uma fraqueza, seja pelo álcool, pelas drogas, pelos vícios, pelo sexo, por atitudes destrutivas ou qualquer outro fator.
Os que levam o morto para ser enterrado nas profundezas da terra representam, para nós, os momentos ou as situações em que conduzimos à morte nossa família, um amigo, ou um bom projeto de trabalho.
A viúva que sofre pela perda irreparável de seu único filho representa aqueles que sofrem porque perderam algo muito querido, talvez a única coisa que possuíam, e sabem que não poderão recuperá-la mais.
A marcha fúnebre havia começado suas primeiras notas; nada nem ninguém poderia detê-la.
Esse enterro, que aconteceu há dois mil anos, repete-se hoje em dia em nossa sociedade e em nosso tempo. Cada um de nós pode representar mais de um papel neste cenário, pois podemos estar vivendo a mesma situação.
Existem circunstancias ou situações que estão nos conduzindo à morte e nem nós, nem os que nos amam podem fazer alguma coisa para evitá-los.
Mas também cada um, como os quatro carregadores, pode estar levando outros ao cemitério. Muitos fazem sofrer aqueles que amam, pela forma com que seu estilo de vida afeta os outros. Quais são os carregadores que nos conduzem ao cemitério? Quais os carregadores que querem nos enterrar vivos? O álcool? Os medos? As drogas? As tristezas? A depressão? As idéias obsessivas? As atitudes destrutivas?
“Ele (Jesus) foi em seguida a uma cidade chamada Naim. Seus discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele. Ao se aproximar da porta da cidade, coincidiu que levavam a enterrar um morto, filho único da mãe viúva; e grande multidão da cidade estava com ela.” (Lc 7, 11-12)
São Lucas nos retrata Jesus caminhando sem parar. Jesus vinha de uma caminhada de uns 20 km de Cafarnaum. Enquanto o cortejo fúnebre cruzava as ruas de Naim, outra multidão entrava na mesma cidade e pela mesma porta. Uns choravam, outros cantavam. Enquanto uns entravam contentes com hinos de alegria, outro cortejo se lamentava com amargos cantos. O contraste era evidente.
Em qual desfile estamos agora? No que entra feliz ou no que sai triste?
Somos o morto que está sendo levado para ser enterrado? Ou somos um dos acompanham Jesus?
Estamos saindo da cidade carregando um “morto”, ou estamos entrando ao lado de quem é a esperança, a ressurreição e a vida?
Jesus chega no momento em que sai o cortejo rumo ao cemitério. Não antes nem depois, senão no mesmo instante. Não se atrasa nem se adianta. Chega a tempo.
Além disso, entra exatamente pela porta pela qual sai a multidão com o morto, não por outra. Coincidem no ponto exato. O Mestre viajava por aldeias e cidades da região, mas naquele dia decide ir a Naim. Poderia ir a outro povo, mas não, chega na cidade e na porta certa.
Esta “coincidência” é para nos mostrar que, no momento e lugar em que se necessite dEle, Ele sempre aparece oportunamente. Ela faz coincidir os cortejos no tempo e no espaço, para manifestar Sua glória e Seu amor, Seu poder e salvação.
E se Jesus saiu de Cafarnaum para Naim, que estava a aproximadamente 20 km de distância, significa que saiu antes que o jovem morresse, precisamente para coincidir as duas situações
Cada um de nós tem seu próprio Naim.
“O Senhor ao vê-la, ficou comovido e lhe disse: ‘Não chores! ’.”(Lc 7, 13)
Jesus centraliza Seu olhar e Sua atenção na mulher que sofre. Jesus é humano. Sofre pelo que acontece.
Ao propor que não chore, dá a entender à mulher que já não existem motivos de sofrimento para que derrame suas lágrimas, porque diante dela está a solução do problema. Existe alguém que se preocupa não somente com seu sofrimento presente, mas também com sua situação de vida. Não lhe pede que deixe de chorar quando seu filho ressuscitar, mas antes, talvez para tornar possível o milagre com a “esperança que não falha”, como disse São Paulo (Rm 5,2), porque na fé expectante já vive a ressurreição de seu filho.
Rabindranath Tagore, poeta e filósofo hindu, dizia que não devemos chorar por ter perdido o sol, porque as lágrimas nos impedirão de ver as estrelas.
Os olhos úmidos pelas lágrimas nos impedem de ver os milagres, por isso devemos limpá-los e seca-los, para podermos ver com transparência o milagre que vai acontecer.
“Depois, aproximando-se, tocou o esquife”(Lc 7, 14a).
Em outras ocasiões Jesus tocava os doentes (sogra de Pedro, o leproso), mas nessa situação não toca o morto, e sim o caixão.
“Os que carregavam pararam”(Lc 7, 14b).
Jesus não precisa dizer nada. Só Sua presença detém o cortejo da morte e silencia a triste melodia da marcha fúnebre. Diante de Jesus, Verdade e Vida, não se pode seguir caminhando para o túmulo.
Existem situações que são quase impossíveis de frear: o alcoolismo, que é uma doença incurável, progressiva e mortal, não se cura com as simples forças humanas. O mesmo acontece com as drogas, com o ódio ou sentimento de vingança e tantas atitudes destrutivas das pessoas. Há rios que ninguém detém, até que desembocam no mar da “morte”. Entretanto, essa passagem nos mostra o poder de Jesus. Basta a Sua presença para que o cortejo fúnebre seja suspenso.
Jesus, então, apesar de estar rodeado de dois grupos que se encontram na saída da cidade, dirige-se apenas ao jovem e lhe ordena:
“Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”(Lc 7, 14c).
Fala a ele e a ninguém mais. As multidões se interessam por Jesus, mas Jesus se interessa pelas pessoas. Como o Bom Pastor, tem atenção e cuida de cada ovelha.
Jesus não toca para que ele se levante (como a sogra de Pedro). Jesus confia que o jovem morto é capaz de se levantar. É o maior ato de confiança que se pode depositar. A confiança tem o poder de despertar o que há de melhor em nós mesmos e nos outros.
A base do sistema educativo de Maria Montessori é confiar na criança, enquanto o princípio pedagógico do Instituto Pierre Faure é: “Ajudo-te, para que faças por ti mesmo”.
Jesus dá uma ordem, porque Sua Palavra nos capacita a nos levantar de qualquer prostração, inclusive a pior de todas: a morte. Tem a certeza de que o jovem pode fazer isso por si mesmo.
“E o morto sentou-se”(Lc 7,15a).
A Palavra de Jesus capacita o jovem a se levantar por si mesmo. “A montanha da morte na te venceu, tens uma segunda oportunidade para continuar o combate. Hoje estás nascendo de novo. Podes agora viver o que não foi possível vier antes. Seca, as amargas lágrimas daqueles que te amam e converte-te em motivo de alegria e esperança para eles. És capaz de te levantar, ficar de pé e te restabelecer, eu acredito que tu podes: Levanta-te!”
“E o morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe.”(Lc 7,15).
O jovem começou a falar, porque escutou a Palavra de Jesus que dá vida! Tornou-se apto para se comunicar com os outros.
Se estivéssemos na situação deste jovem, a quem diríamos as primeiras palavras depois de nossa ressurreição?
À nossas mães, aos que nos carregavam ao cemitério, a nós mesmos ou à outra pessoa? E o que diríamos?
“Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: ‘Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo” (Lc 7, 16).
Na ocasião Jesus se manifesta como os antigos profetas que realizavam sinais milagrosos, como Elizeu que ressuscita o filho da viúva de Sarepta (1 Rs 17,22).
Aquelas duas contrastantes procissões que se encontraram na porta da cidade unem-se agora, em uma só marcha triunfal com coros de louvor e gritos de alegria.
O luto da multidão que ia a caminho do cemitério converteu-se em alegria. A ressurreição daquele jovem mudou a direção do triste cortejo; agora era só felicidade. Jesus fez com que os coveiros ficassem sem trabalho naquela manhã.
Esse jovem transformou a vida de uma pessoa: sua mãe. Talvez, não possamos transformar o mundo todo, mas podemos transformar o mundo de uma pessoa.
“Santo Agostinho de Hipona fazia sua mãe Mônica chorar muito. Mas quando ele mudou de vida, converteu-se, transformou-a não somente na mãe de um santo, mas em uma santa: Santa Mônica” Confissões, Livro IV Cap.I.
“E essa notícia difundiu-se pela Judéia inteiro e por toda a redondeza” (Lc 7,17).
Graças à ressurreição desse jovem, estendeu-se a fama de Jesus. A experiência da passagem da morte para a vida transpassou os limites da Galiléia e chegou até a Judéia, onde se encontrava a capital religiosa de Israel. Esse jovem, com sua volta à vida, testemunhou e demonstrou que Jesus é a Ressurreição e a Vida.
Essa cena, que aconteceu há 2000 anos, repete-se tantas vezes no cenário de nossa vida e de nossa história. Mas nosso “velório” pode mudar a direção de uma multidão, o mundo de uma pessoa, e nos fazer testemunhos autênticos do poder da Palavra de Jesus.
Que possamos proclamar a cada dia de nossas vidas:
“Eu sou capaz de me levantar! Eu tenho certeza que sou capaz de me levantar!!!”

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Moisés, o Faraó e Nós (Parte 3)

“O coração é casa em que estou, onde moro ( Segundo a expressão semítica ou bíblica: aonde eu “desço”). Ele é nosso centro escondido, inatingível pela razão e por outra pessoa; só o Espírito de Deus pode sondá-lo e conhecê-lo. Ele é o lugar do encontro, pois, à imagem de Deus, vivemos em relação; é o lugar da Aliança.” (CIC n° 2563)

O coração do faraó é um coração tem duas características principais: é fraco e obstinado.

Coração obstinado porque não pode deixar sua posição de faraó, por não poder perder e deixar seu status de rei do Egito. A posição que ele tem e ocupa é tudo em sua vida. E é nela em que e no qual ele deposita toda a sua confiança. Seu coração é preso, incapaz de ser generoso com os outros. Ele não crê, não se converte, é detentor da verdade e do poder; por isso não quer mudar. Ofende-se quando sua autoridade é questionada.

E o coração fraco porque é pouco capaz de amar. O homem é fraco quando tem pouca capacidade de amar, quando limita seu amor. E o faraó tem o coração fraco visto que quem ama doa-se, oferece-se ao outro; e ele é contrário a isso.

As causas da obstinação e da fraqueza do coração são os condicionamentos da vida e a deficiência na caridade.

Os preconceitos, os prejulgamentos e a busca de uma segurança condicionam a nossa vida e o nosso coração. O coração do faraó era determinado pelo o que ele fazia e era. Ele era motivado por sua condição de rei do Egito.

Não amar o suficiente, amar menos do que deveríamos e a falta de generosidade faz-nos deficientes na caridade. O coração do faraó só pensava em si mesmo. Não amava ninguém e jamais se doou.

O coração de Moisés adquire a identidade e as características do coração de Jesus: manso e humilde. É um coração que aprendeu a amar, a dar de si, a fazer de sua vida uma vida para os outros; a perder desde que o outro ganhe. É um coração capaz de amar muito, ao contrario do faraó que impõe limites no seu amor. O coração de Moisés tem por características a generosidade, o perdão, a doação. E essas também são características do coração de Deus.

O que existe dentro de nós de faraó? E o que existe dentro de nós de Moisés? Quais os sentimentos que existem dentro de nós que são próprios do coração do faraó? Quais os sentimentos que existem em nós que são próprios do coração de Moisés? Não nos vangloriemos pelo que temos de Moisés e nem nos culpemos pelo que temos de faraó. Mas reflitamos, avaliemos, contemos com a graça de Deus para que aquilo que existe de faraó em nós seja afastado e aquilo que existe de Moisés em nós seja afirmado, ratificado.

Tenhamos cuidado com o nosso coração. Que possamos seguir o conselho da Sagrada Escritura: “Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida.”(Prov 4,23)

Lembremos a nós mesmos todos os dias que: “Onde está o nosso tesouro, lá também está o nosso coração.” (Mt 6,21) E que “Os olhos do Senhor percorrem toda a terra para sustentar aqueles cujo coração lhe é totalmente devotado.” (II Cron 16,9)

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Moisés, o Faraó e Nós (Parte 2)

Lendo alguns trechos do Livro do Êxodo vamos meditar algumas atitudes do faraó e de Moisés que nos levam a reflexão das nossas atitudes.

“Depois disso, Moisés e Aarão dirigiram-se ao faraó e disseram-lhe: ‘Assim fala o Senhor, o Deus de Israel: deixa ir o meu povo, para que me faça uma festa no deserto’. O faraó respondeu: ‘Quem é esse Senhor, para que eu lhe deva obedecer, deixando partir Israel? Não conheço o Senhor, e não deixarei partir Israel’.”(Ex 5, 1-2)

Por que o faraó não deixou o povo partir?

O faraó não deixa o povo partir porque ele não conhece o Senhor. Mesmo porque ele mesmo se julga representante de Deus. Essa resposta do faraó esclarece para nós o porquê de muitas vezes não fazermos a vontade de Deus: por não o conhecermos verdadeiramente. Moisés só apresentou a vontade de Deus ao faraó porque ele experimentou e conheceu o Senhor. Ao contrário do faraó que não conhece a Deus e não fez a vontade do Senhor deixando o povo partir. Quando não conhecemos o Senhor verdadeiramente não fazemos a sua vontade. A falta de conhecimento de Deus nos impede de fazer a vontade divina.

“O rei do Egito disse-lhes: ‘Moisés e Aarão, por que quereis desviar o povo do seu trabalho? Ide às vossas ocupações’. E ajuntou: ‘O povo é, atualmente, numeroso, e vós o faríeis interromper seus trabalhos!’ Naquele mesmo dia, deu o faraó ao inspetor do povo e aos vigias esta ordem: ‘Não fornecereis mais, como dantes, a palha ao povo para fazer os tijolos: irão eles mesmos procurá-la. Entretanto, exigi deles a mesma quantidade de tijolos que antes, sem nada diminuir. São uns preguiçosos. É por isso que clamam: queremos ir oferecer sacrifícios ao nosso Deus. Que sejam sobrecarregados de trabalhos ocupem-se eles de suas tarefas e não dêem ouvidos às mentiras que se lhes contam!’”(Ex 5, 4-9)

Nesta argumentação o faraó deixa claro algumas posições dele: ele julga no seu entendimento – humano, limitado, breve – que o povo quer ir ao deserto prestar culto porque não tem trabalho. Chama o povo de preguiçoso. E para tentar desviar a atenção do povo dos dias de culto ao Senhor, o faraó aumenta o trabalho da população. A mentira está no coração do faraó, mas ele diz que Aarão e Moisés são mentirosos e querem afastar o povo do trabalho.

O povo é numeroso e presta um grande serviço ao faraó. Então quais são as preocupações do faraó com “a perda” do povo?

Primeiro com o trabalho do povo – porque ele não quer perder a riqueza produzida com este trabalho; pois se o povo deixar de trabalhar produzirá menos riquezas e o faraó será menos poderoso por ter poucas riquezas. Segundo, ele imagina que esse povo não esta trabalhando o suficiente e por isso está sobrando tempo para ir prestar culto. Então o faro manda que os escravos produzam a mesma quantidade de tijolos. Todavia, antes eles recebiam a palha produzir os tijolos; agora além de produzir a mesma quantidade, eles terão de ir buscar a palha.

O que esta situação nos leva a refletir?

Ela mostra que muitas vezes nós substituímos o nosso tempo diante do Senhor com o trabalho. E que também o tempo que nos sobra do trabalho – não só do trabalho profissional, mas também do trabalho dentro da igreja – nós nos escondemos atrás deste para não rezarmos, para não estarmos com o Senhor. É necessário estar com o senhor para que o trabalho dê frutos. A questão não é deixar de trabalhar e só rezar, mas sim de equilibrar nosso tempo. É preciso trabalhar, mas é preciso também estar como Senhor; encontrá-lo sempre. Para trabalhando na messe não corramos o risco de um dia não mais O conhecer e nem fazer a nossa vontade, mas sim somente a Dele. Devemos ter cuidado: muito trabalho sem oração é perigoso e muita oração sem trabalho também é perigoso. Trabalhar sem oração é ativismo e isso faz mal para nossa missão.

“O faraó mandou chamar Moisés e Aarão: ‘Intercedei, disse-lhes ele, junto do Senhor, a fim de que afaste as rãs de mim e de meu povo, e deixarei partir o vosso povo para que ofereça sacrifícios ao Senhor’. Moisés respondeu-lhe: ‘Digna-te dizer-me quando é que devo interceder por ti, por teus servos e por teu povo, a fim de que o Senhor afaste as rãs de tua pessoa e de tuas casas, de sorte que fiquem somente no rio’. ‘Seja amanhã’, disse ele. Moisés replicou: ‘Será feito segundo o teu desejo, para que saibas que não há ninguém como o Senhor, nosso Deus. As rãs afastar-se-ão de tua pessoa, de tuas habitações, de teus servos e de teu povo; e ficarão somente no Nilo’. Moisés e Aarão saíram da casa do rei e Moisés invocou o Senhor a respeito das rãs que enviara contra o faraó. Fez o Senhor o que pedia Moisés: morreram as rãs nas casas, nas praças e nos campos. Ajuntaram-nas em montões e o país ficou infeccionado com isso. Mas, vendo o faraó que havia descanso, endureceu o coração; e, como o Senhor havia predito, não ouviu Moisés e Aarão.” (Ex 8, 8-15)

Este texto fala sobre a infestação da praga das rãs em todo o Egito. Ele mostra para nós como o faraó mente em suas atitudes interiores.

Quando o faraó viu a praga das rãs e depois de todos os seus sacerdotes e mágicos tentarem afastar a praga e não conseguirem; ele chama a Aarão e Moisés e diz-lhes: “Intercedei junto ao senhor para que Ele afaste as rãs e se isso acontecer, eu vou deixar o povo partir.” Todavia, o faraó age com o coração mentiroso. Moisés e Aarão vão diante do senhor e pede o afastamento das rãs. O senhor os escuta e afasta as rãs do faraó e se seu povo. Contudo, quando o faraó percebe que não existe mais as pragas ele não cumpre o que falou.

Quantas vezes nos colocamos diante do Senhor pedindo graças, sinais, favores e em troca dizemos que realizaremos sua vontade; porém quando Ele nos concede voltamos atrás em nossas palavras. Muitas vezes, fazemos isso sem maldade, sem ter pensado, nem avaliado. Contudo é assim que o faraó age. E não se trata de nós nos acusarmos, mas sim de refletirmos sobre a pureza de nossos corações e de nossos sentimentos.

“Mandaram então vir Moisés e Aarão à presença do rei que lhes disse: ‘Ide fazer vossas devoções ao Senhor, vosso Deus. Quem são os que hão de partir?’ ‘Iremos, respondeu Moisés, com nossos jovens e nossos velhos, nossos filhos e nossas filhas. Iremos com nossas ovelhas e nossos bois, porque temos de celebrar uma festa em honra do Senhor.’ O faraó replicou: ‘O Senhor esteja convosco, do mesmo modo como vos deixarei partir com vossos filhos! Tomai cuidado, porque tendes más intenções. Não há de ser assim. Ide vós, os homens, e prestai o vosso culto ao Senhor, pois é isso o que desejais.’ E foram expulsos da presença do faraó.”(Ex 10, 8-11)

Nesta passagem sobre a praga dos gafanhotos o faraó vai negociar. Ele diz: “Vão só os homens prestar culto; fiquem aqui as mulheres, os filhos e os rebanhos”. Em nenhum momento o faraó quer perder. E sabemos que aquele que não perde sua própria vida em beneficio do outro, não vai ganhá-la; pois para ganhar a vida eterna é necessário perdê-la em benefício do irmão. O faraó negocia para ir só os homens e ficarem as mulheres, porque se eles não voltarem, elas ficariam para fazer o serviço deles. Isso é o faraó: aquele que negocia e nunca quer perder, que afasta sempre a possibilidade de não realização de seus interesses. Ele é o centro dele mesmo.

Nós aceitamos a vontade de Deus, mas negociamos para que seja conforme a nossa. Criticamos os que fazem a opção radical. Nossa conversão vai até onde não envolve família, dinheiro e trabalho. Queremos fazer a vontade de Deus sem “prejuízos” por isso negociamos sempre.

Na nossa vida que atitudes temos praticado? Atitudes de faraó? Ou atitudes de Moisés?

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Moisés, o Faraó e Nós (Parte 1)


Quem é Moisés? Quais os valores de Moisés?

Moisés é um homem de 80 anos, filho adotivo da filha do faraó, fidalgo. É um homem generoso e que depois de passar pela experiência de Deus na sarça ardente começou a agir fundamentado e confiando na Palavra de Deus e não mais nos seus próprios desígnios. Moisés é um homem que representa o serviço, o desapego, a amor ao irmão, uma vida desapegada dos valores do mundo e sem preconceitos em relação ao próximo. Ele é a imagem de uma vida cheia da graça, da misericórdia e do poder de Deus. Uma vida transparente e autentica por ser um viver evangélico, cristão que dá testemunho de Jesus Cristo. Moisés é exemplo dos valores do evangelho: justiça, caridade, verdade, liberdade, generosidade, perdão. É um homem que sabe perder para os outros ganharem. É um homem que soube perder sua própria vida para os outros terem vida. E desta forma, prefigurou Jesus Cristo que perdeu sua vida para que nós tivéssemos vida.


Quem é o faraó? Quais os valores do faraó?

O faraó é um homem nobre, inteligente e hábil. É uma pessoa que nunca quer perder. Ele não é capaz de abrir mão dos seus desejos, valores, pensamentos e projetos. Não é próprio dele perder nada, muito menos a sua vida para que outros tenham vida. Ao contrário, ele é aquele que usa a vida dos outros para beneficiar a si mesmo. Ele é aquele que não respeita a liberdade. Não é justo e verdadeiro. É mentiroso. E não mente só verbalmente, mas também em suas atitudes mais interiores e profundas. Ele não é autêntico. É manipulador. Não quis sair de onde estava. E por isso, por não sair de onde estava, não se encontrou com o Senhor.


E nós? Quem somos? Faraó ou Moisés?

Nós podemos observar que um é a posição do outro: Moisés representa todos os valores do Evangelho e o Faraó contrapõe representando todos os valores do mundo.
Muitas vezes somos e nos sentimos como Moisés, servos e filhos de Deus. Outras vezes somos e nos sentimos como o faraó, pessoas escravas e seguidoras dos modismos da sociedade atual. Todavia, a maioria de nós vive uma contraposição: sabemos o que é certo, mas não fazermos e nem tentamos acertar.

São Paulo nos diz: “Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido ao pecado. Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço. E, se faço o que não quero, reconheço que a lei é boa. Mas, então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita. Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?... Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! Assim, pois, de um lado, pelo meu espírito, sou submisso à lei de Deus; de outro lado, por minha carne, sou escravo da lei do pecado. De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito. Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pela justificação. Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 7,14-26; 8,1-17).

Temos tendência a pecar. Nossa carne quer pecar. Porém, Jesus muda a lei e purifica a carne. Em Jesus o pecado não pode mais nos dominar. Não há mais condenação para aqueles que Deus chama de filhos no nome de Jesus e no poder do Espírito Santo.

Que aquilo que existe em nós de Moisés seja reafirmado, melhorado, qualificado e que acima de tudo possamos agradecer a Deus por aquilo que ele nos deu que são as características e Moisés. E que aquilo que existe em nós de faraó, mediante ao nosso exame de consciência, possa ser mudado e modificado sempre contanto com a graça, a misericórdia e o perdão de Deus. Que cada vez mais deixemos de ser faro e passemos a ser Moisés.


Que uma pergunta seja constante em nossas vidas:
Quem sou: Moisés ou Faraó?